Rio, 16 (AE) - A decisão de delegar à convenção municipal, em junho, a responsabilidade de escolher se o PDT terá ou não candidatura própria para a sucessão municipal reaproximou o presidente nacional do partido, Leonel Brizola, e o governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT).
A resolução foi tomada em reunião na noite de ontem (15). O principal ponto de discórdia entre Brizola e Garotinho era se a legenda deveria apoiar a vice-governadora Benedita da Silva (PT) ou ter candidatura própria
Garotinho tem defendido o apoio à vice-governadora, alegando que se trata de um "compromisso de campanha" com o PT
enquanto Brizola e o grupo dele - entre eles, o secretário estadual de Governo, Carlos Lupi - querem um nome do PDT para disputar à sucessão.
Até antes do encontro de ontem, os pedetistas ligados ao ex-governador afirmavam que a responsabilidade pela resolução do imbróglio era do Conselho Político do partido, que deverá se reunir no dia 24. O conselho é formado por 22 dirigentes regionais do PDT - a maioria pró-candidatura própria. "Concluímos por um recuo estratégico", afirmou um dirigente.
Brizola e Garotinho chegaram ao consenso após decidir que o documento tirado no conselho só terá efeito indicativo, e não decisório, o que permite a Garotinho ter liberdade para continuar a defender a tese aliancista. "Mas, se a candidatura própria for vitoriosa na convenção, o próprio governador já se comprometeu em apoiar e fazer a campanha do candidato que o partido escolher", afirmou Lupi, um dos que participaram do encontro de ontem.
Para ele, a reunião entre Garotinho e Brizola serviu como o "primeiro passo" para reestabelecer um canal de diálogo entre os dois. O deputado federal Miro Teixeira (PDT-RJ) afirmou que o assunto já está "superado". "Conseguimos chegar a um êxito surpreendente", disse. Os aliados de Garotinho, porém, acreditam que o encontro não foi capaz de superar a "desconfiança" entre os dois.
Segundo alguns participantes da reunião, o clima do encontro, que ocorreu na casa de Brizola, em Copacabana, zona sul do Rio, foi "tenso", mas não chegou ao extremo do anterior
ocorrido na semana passada, quando Garotinho ameaçou renunciar ao cargo. O momento de maior tensão aconteceu quando Garotinho começou a reclamar dos ataques pessoais que sofreu de Brizola, que o comparou ao ex-ditador fascista italiano Benito Mussolini e ao ex-presidente Jânio Quadros. Coube ao ex-governador pacificar os ânimos.
"Não adianta mais ficarmos remexendo feridas para catar carrapatos porque, mesmo com o todo o cuidado, sempre haverá ocasião em que elas irão sangrar", disse Brizola, segundo um dos dirigentes que estiveram na reunião. "Caminhando para frente é que encontramos o caminho."
Brizola divulgou nota oficial hoje à tarde na qual demonstra descontentamento com os presidentes de honra, Luiz Inácio Lula da Silva, e nacional petistas, deputado José Dirceu (SP), pelas declarações dos dois em que pedem o afastamento do PT fluminense do PDT na sucessão municipal. "Esperei dois dias para ver se vinha uma retificação, ou um pedido de desculpas, por uma expressão infeliz, arrogante e pretensiosa; não houve nenhuma coisa nem outra", disse. "A verdade é essa, e haverá um julgamento de todas as pessoas de bem sobre este comportamento da direção do PT." Para o ex-governador, as declarações de Lula e Dirceu "tiveram o mérito de revelar à opinião pública as razões que levaram à inviabilidade de manutenção das alianças entre os partidos de esquerda". Segundo Brizola, a "arrogância" do PT tornou "praticamente impossível" uma aliança entre os dois partidos no primeiro turno em outubro.

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