Acordo previa saída da praça de Curitiba, diz MST; governo nega
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segunda-feira, 29 de novembro de 1999
Por Evandro Fadel 
Curitiba, 29 (AE) - O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) afirmou hoje que estava praticamente fechado um acordo com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para resolver alguns problemas no Paraná e o acerto previa a retirada amanhã (30) ou na quarta-feira do acampamento na Praça Nossa Senhora de Salete, no Centro Cívico, em Curitiba. Em nota oficial, o governo do Estado negou qualquer acordo a esse respeito. A manifestação contra o despejo dos sem-terra no Centro Cívico reuniu hoje cerca de 150 pessoas.
Entre elas o senador Eduardo Suplicy (PT/SP), que confirmou a existência do acordo. Ele disse que sábado pela manhã recebeu um telefonema da assessora do ministro da Política Fundiária, Maria de Oliveira, dizendo "estranhar o desalojamento dos sem-terra"."Ela disse que haviam chegado a um entendimento às 17 horas de sexta-feira e só ficava faltando, para selar o acordo, a palavra do governador Jaime Lerner", afirmou o senador. "Então se estranhou, porque ele pareceu concordar com o que parecia plenamente razoável, que incluía o desalojamento pacífico, e resolveu fazer a ação através da Polícia Militar, o que era desnecessário."
Suplicy reúne-se à noite com o governador Jaime Lerner. A ação não chegou a ser violenta, embora oito sem-terra e um advogado tivessem sido presos. O senador Roberto Requião (PMDB/PR) disse, em uma entrevista coletiva, que o ato de sábado não foi um despejo na forma de direito. "Foi um espetáculo político, que teve como único objetivo resgatar a imagem de um governo que parece não governar", afirmou.
Manifestação - Requião não ficou para a manifestação, que reuniu aproximadamente 150 pessoas no local onde ficava a padaria do acampamento. Alguns policiais da Companhia de Choque e do Grupo de Operações Especiais da Polícia Militar acompanharam de longe.
O bispo dom Tomás Balduíno, presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), disse ter ficado "perplexo" com o rompimento das negociações, sendo que entre os itens estava a "retirada honrosa e digna" da praça. Segundo ele, a maior perplexidade é com a "corrupção institucional da polícia, usada com o objetivo de vingança, de humilhação, de destruição". "Perplexidade com a polícia formada na forma nazista, que envergonha a todos, que faz desfilar esposas e mães na forma de atentado ao pudor apenas para cumprir ordem de guerra, corrupção sentida nas palavras de um tenente (Tavares, segundo o advogado da CPT, Darci Frigo), que mentiu para encobrir os atos dele", criticou d.Tomás.
De acordo com Frigo, preso durante a desocupação e acusado pelo tenente de ter agredido um soldado, o policial tropeçou no meio-fio e machucou a perna, a alguns metros de distância dele. Ele reclamou que a polícia não o deixou entrar no acampamento. Ainda de acordo com Frigo, o cumprimento do mandado de reintegração começou por volta das 3 horas da madrugada, o que é ilegal. A ordem só foi lida pelo oficial de Justiça depois das 6 horas, mas, segundo o advogado, os sem-terra já estavam dominados e alguns dentro do ônibus. "Leram o mandado para o cadáver", ironizou o bispo de Curitiba
dom Ladislau Biernaski.
Nota - Por meio de sua nota oficial, o governo do Paraná disse que continua com disposição para o diálogo, embora ressalte que cabe ao governo federal acelerar a oferta de áreas. Já o coordenador do MST, Roberto Baggio, acha que a ação foi "radical" e representa o rompimento unilateral das negociações.


