Foz do Iguaçu - Depois de muita conversa entre autoridades políticas e policiais, a Estrada do Colono começou a ser desocupada pacificamente ontem pelos invasores que a ocuparam na sexta-feira à noite. Os moradores de Medianeira e Serranópolis do Iguaçu (Oeste) e de Capanema (Sudoeste) foram ''convencidos'' a sair da área diante da iminente possibilidade de acontecer um confronto com a Polícia Federal, que estava prestes a realizar a reintegração de posse.
A decisão pelo recuo foi tomada em duas assembléias populares promovidas na parte da amanhã, uma em cada extremo do caminho. A pauta foi a postura irredutível dos órgãos de segurança anunciada aos prefeitos num encontro ocorrido na tarde de segunda-feira. Na ocasião, os delegados federais garantiram que as forças policiais foram obrigadas a retirar os moradores da área ocupada, conforme determina liminar da Justiça Federal de Foz do Iguaçu expedida no sábado.
Esta foi a terceira vez que a Estrada do Colono foi aberta à força. Fechado por ordem judicial em 1986, o ''atalho'' que encurta a distância entre o Oeste e Sudoeste foi reaberto em 1987. Depois, fechado em 1997, foi reaberto em 1998. Em 13 de junho de 2001, seguindo ordem do Tribunal Regional Federal (TRF), da 4 Região, a Polícia Federal fechou o trajeto numa operação que mobilizou agentes de vários estados, teve ''ares de guerra'' e deixou vários feridos.
Desta vez, a população evitou repetir a cena. No fim da tarde, o interior da mata e as duas pontas do percurso estavam em processo de desocupação, inclusive com o desmonte de barricadas e do acampamento de barracas de lona e bambus. O saldo visual foi a destruição do reflorestamento em 16,9 dos 17,6 quilômetros do caminho (as mudas tinham sido plantadas após o fechamento em junho de 2001), além dos destroços do posto de fiscalização em Serranópolis.
O presidente da Associação de Integração Comunitária Pró-Estrada do Colono (Aipopec), Luiz Suzuke, justificou a saída dos invasores lamentando a posição unilateral da Polícia Federal e do Ibama, de não pouparem esforços para o fechamento do caminho. ''Eles ignoraram nossos argumentos quanto a importância cultural, história e econômica da estrada e afirmaram que precisavam cumprir ordens'', afirmou o petista, frisando que as lideranças preferiram evitar o confronto.
Ontem à noite, duas casas perto da Estrada do Colono foram queimadas. Elas seriam usadas por funcionários de uma empresa contratada para vigiar o acesso ao caminho. A PF já havia aprendido, no fim da tarde de segunda-feira, 15 bombas caseiras, conhecidas como coquetel molotov. A polícia abriu inquérito para apurar a responsabilidade dos danos ambientais, destruição do patrimônio público, desobediência à ordem judicial e apologia ao crime.

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