Acordo põe fim a impasse em Rondonia
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terça-feira, 13 de abril de 1999
Por Eugênio Melloni 
São Paulo, 14 (AE) - Representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) de Rondônia comprometeram-se, hoje, a desocupar, em 2 de maio, a Fazenda Urupá, localizada em Mirante da Serra. As 250 famílias de sem-terra acampadas na propriedade deverão ser transferidas para uma área do município de Espigão do Oeste, a 400 quilômetros da fazenda, onde aguardarão vistorias para o assentamento definitivo, informou o ouvidor agrário nacional, Gercino José da Silva Filho. O ouvidor intermediou as negociações que resultaram
hoje, em um acordo entre os sem-terra, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), o governador do Estado, José de Abreu Bianco, e os proprietários da fazenda.
Com o acordo, chega ao fim um dos mais intrincados impasses envolvendo a disputa fundiária no País. O jornal "O Estado de S.Paulo" denunciou, em janeiro deste ano, que, para que a Polícia Militar iniciasse os trabalhos de reintegração de posse da área, o proprietário da fazenda, Oswaldo de Castro Cunha, foi obrigado a arcar com os custos de parte das diárias pagas aos soldados (R$ 1.880,00) e com o aluguel de um ônibus para transportá-los para a área (R$ 600,00). O pagamento das despesas foi solicitado pelo juiz agrário especial de Rondônia, José Pedro do Couto. Temendo um confronto, os soldados acabaram abandonando a propriedade sem realizar a operação.
Traumatizada com o conflito que resultou na morte de dez sem-terra e dois policiais em Corumbiara, município de Rondônia, a PM relutava em executar o mandado de reintegração de posse da Fazenda Urupá, emitido em julho de 98. A polícia identificou, entre os invasores, militantes do Movimento Camponês Corumbiara (MCC), uma dissidência radical do MST.
Enquanto isso, a tensão vinha crescendo na fazenda, com o abate de animais selecionados - a fazenda é um dos principais criatórios de gado de elite nelore da Região Norte - e ameaças aos empregados. No fim de março, o clima ficou ainda mais tenso depois que os invasores incendiaram duas casas ocupadas por funcionários da fazenda. Ricardo Castro Cunha, filho do proprietário, não quis comentar o acordo. Os líderes estaduais do MST não foram encontrados.


