Um acordo firmado ontem à noite entre o comando de greve dos servidores do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o ministro da Previdência Social, Roberto Brant, pôs fim à greve que ontem completou 106 dias. Hoje, devem ser realizadas assembléias da categoria para definir o retorno ao trabalho.
Ontem, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, houve tumulto entre segurados que tentavam receber benefícios e sindicalistas que defendem a manutenção da paralisação dos servidores. De acordo com a gerência do instituto na Baixada Fluminense, o objetivo dos grevistas era impedir que houvesse expediente. Nas outras 14 agências da região, trabalhadores também decidiram antecipar o fim do movimento. A Superintendência do INSS no Rio informou que 60 mil pessoas foram prejudicadas desde o início da paralisação.

Cerca de 60 funcionários públicos federais se apresentaram para trabalhar no posto de Nova Iguaçu. ''Os servidores ainda iriam avaliar se haveria condições de atendimento à tarde. Os sindicalistas incitaram a população contra os funcionários'', afirmou a gerente-executiva do INSS na região, Sílvia Lima. Nas demais agências do Rio, não houve incidentes.

No Paraná, a greve atingia ontem a maioria das agências. De acordo com o Sindiprevs, sindicato da categoria, 63% dos quase 1.700 funcionários estavam parados, impedido o funcionamento de 26 das 40 agências do instituto.

A paralisação afeta as principais cidades paranaenses, dentre as quais Curitiba, Londrina, Maringá e Ponta Grossa. Com isso, em torno de 500 mil beneficiários deixaram de ser atendidos desde o início do movimento.

Hélio de Jesus, membro do comando de greve da Capital, disse à tarde que os servidores só voltariam ao trabalho se fechar a negociação entre o governo federal e sindicato nacional da categoria. ''O governo não formulou contraproposta, mas os servidores estão vendo brechas no orçamento para tentar conseguir um acordo'', disse.

Jesus afirmou que hoje os servidores de Curitiba e Paranaguá vão se reunir para discutir que medidas vão tomar sobre a greve. ''Ainda há esperança que o governo ceda nas negociações por causa da pressão social, que quer receber seus benefícios'', disse.

A Regional do INSS sediada em Londrina permaneceu em greve ontem, mas em pelo menos seis cidades da região os funcionários voltaram a funcionar. Segundo o gerente executivo local, Dejair Antonio de Lima, os municípios de Jacarezinho, Cornélio Procópio, Rolândia, Arapongas, Apucarana e Ivaiporã já estão atendendo normalmente a população. ''Nossas duas agências continuam paradas, atendendo somente os serviços prioritários. Londrina é a primeira a entrar e a última a sair da greve'', comentou Lima, lembrando que o retorno ao trabalho é uma tendência nacional acatada por outras regionais, como Cascavel e Maringá.
Londrina conta com 80 funcionários, responsável pelo atendimento médio de 500 pessoas todos os dias. (Emerson Dias, de Londrina)

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