Acordo põe fim à greve de fome dos sequestradores de Abílio Diniz
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terça-feira, 28 de abril de 1998
Agência Estado 
Arquivo FolhaDom Paulo intermediou acordoUm prato de sopa com verduras, acompanhado de bolacha água e sal, foi a primeira alimentação feita pelos dez sequestradores do empresário Abílio Diniz, após encerrarem ontem uma greve de fome de 16 dias. Os presos aceitaram proposta do juiz Octavio Augusto Machado de Barros Filho, corregedor da Vara da Execuções Criminais. O juiz vai estudar o processo do prisioneiros para uma futura concessão de prisão em regime semi-aberto.
Eles estavam muito felizes em poder voltar a se alimentar, contou o médico Paulo César Sampaio, diretor do Departamento de Saúde da Penitenciária do Estado. Mas, por recomendação médica, não puderam repetir o prato, porque estão bastante debilitados.
O acordo provocou um protesto de cerca de 400 prisioneiras da Penitenciária Feminina de São Paulo, no Carandiru. Elas foram para o pátio onde passaram a exigir da direção do presídio um tratamento semelhante ao dispensado à canadense Christine Gwen Lamont e à chilena Maria Emília Marchi Badilla, acusadas de terem muitas regalias na prisão.
A greve de fome foi encerrada oficialmente às 10 horas de ontem em uma reunião no salão nobre da Penitenciária do Estado, no Carandiru. De um lado de uma grande mesa estavam o cardeal dom Paulo Evaristo Arns, o secretário estadual de Administração Penitenciária, João Benedito de Azevedo Marques e o juiz Octavio Augusto Machado de Barros Filho. Do outro lado, os sequestradores, Humberto Eduardo Paz e Horácio Enrique Paz (argentinos), Raimundo Rosélio da Costa Freire (brasileiro), David Robert Spencer (canadense) e os chilenos Sérgio Martin Urtubia, Ulisses Fernando Gallardo Acevedo, Pedro Alejandro Fernandes Lenbach e Hector Collante Tapia.
Eles me abraçaram e agradeceram a ajuda para a solução do caso, contou o cardeal. Explicaram que tinham decidido suspender a greve de fome com a esperança de uma resolução do impasse através de meios jurídicos. Após o encontro o cardeal, o secretário e o juiz seguiram de carro para o prédio da Penitenciária Feminina da capital, no mesmo terreno onde está o Complexo Penitenciário do Carandiru.
Lá estiveram com Christine Lamont e Maria Emília Badilla na capela do presídio. As mulheres informaram que também suspendiam a greve de fome seguindo orientação dos demais sequestradores. Os dois encontros duraram duas horas e meia. Após os encontros dom Paulo Evaristo Arns, o secretário Azevedo Marques e o juiz Barros Filho falaram com os jornalistas. Participaram da entrevista o embaixador do Chile no Brasil, Heraldo Mu¤os, e o cônsul chileno em São Paulo, Alfredo Papia.
O Chile sempre preferiu que as leis brasileiras fossem aplicadas em relação aos prisioneiros chilenos, disse o embaixador. Agora que vemos que há uma possibilidade de o direito deles ser reconhecido, o Chile está disposto a ajudar a Justiça brasileira.


