Acordo poderá contemplar só veículo popular, prevêem consultores
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domingo, 23 de maio de 1999
Por Marli Olmos 
São Paulo, 24 (AE) - No novo acordo automotivo emergencial, as montadoras devem impor a adoção de um sistema que não as impeça de reajustar preços e, da mesma forma, o governo deverá buscar meios de manter a atual carga tributária numa parcela de produtos para evitar perda de arrecadação. Uma nova fórmula, dirigida a determinados segmentos, como o dos carros populares, deverá nortear a nova fase de negociações, esta semana, na visão do grupo de consultores da AtKearney especialista na área automotiva.
O grupo de consultores passou os últimos dias na matriz da AtKearney, nos Estados Unidos, para aprofundar a discussão dos principais assuntos do setor automotivo no Cone Sul e de lá falaram à AGÊNCIA ESTADO sobre os rumos que essa indústria vai tomar a partir da nova fase do acordo emergencial.
O acordo dirigido a um segmento de mercado, como o carro popular, ajudaria a evitar um colapso nas vendas destes veículos - que respondem por quase 70% do mercado. A nova fórmula agradaria aos setores do governo que não querem abrir mão da receita. Tudo isso seria arrematado com uma maneira de não interromper o acordo quando houvesse repasse de aumentos de custos, como aconteceu este mês.
Para George Freund, vice-presidente da AtKearney do Brasil, o acordo emergencial não deverá provocar nenhuma reação violenta na demanda. Vai servir apenas para manter o mercado num patamar que já é bem menor do que o dos últimos anos. Ele previu um mercado de 1,2 milhão a 1,4 milhão de veículos no Brasil este ano. No ano passado foram vendidos 1,5 milhão.
Para uma reação de demanda mais acentuada, o setor precisa, segundo os consultores, de estímulo extra, que deverá vir por meio do programa de renovação da frota. A partir daí, segundo eles, a demanda extra por carros novos pode chegar a 420 mil unidades por ano. "Mas isto está atrelado à forma como o programa será instalado", advertiu Freund. Ou seja, o programa depende das leis de inspeção veicular e é preciso definir o cronograma de substituição dos carros velhos por idade.


