Especialistas em saúde pública da América Latina reúnem-se a partir de segunda-feira, no Rio, para o 10º Seminário Latino-Americano sobre a Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco. A proposta é discutir, até quinta-feira, um acordo a ser firmado entre diversos países alinhados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para que sejam adotadas medidas de restrição ao consumo de cigarro, charutos, cigarrilhas e cachimbos a partir de 2003.

Uma das propostas defendidas pelos participantes brasileiros é o aumento do preço dos maços. ''Já não basta que um país tome um decisão de maneira isolada, é mais eficaz agirmos em grupo'', afirma a sanitarista Tânia Cavalcante, do Instituto Nacional do Câncer, entidade de referência da OMS para o estudo do tabagismo no Brasil, e organizadora do seminário.

Os participantes do encontro vão analisar temas como a proibição da propaganda de cigarro. As resoluções tomadas serão levadas a Genebra ainda este mês, na reunião de 191 países integrantes da OMS, preparatória da Convenção-Quadro (ver texto abaixo).

Segundo Tânia, a tendência é de que, nos próximos anos, a propaganda do fumo seja proibida. ''A única maneira de reduzir o tabagismo entre os jovens é bani-la e proibir o patrocínio de eventos esportivos e culturais pela indústria do tabaco.''

''De 100 fumantes, 90 são realmente dependentes'', diz o pneumologista da Divisão de Doenças Respiratórias do Instituto do Coração (Incor), Ubiratan de Paula Santos. ''De 30% a 40% dos fumantes simplesmente não consegue parar'', alerta Tânia.

Na última grande pesquisa sobre tabagismo, de 1989, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) calculou em 2,7 milhões o número de fumantes na população de 5 a 19 anos de idade. Muitos deles podem engrossar estatísticas alarmantes: de cada 1 milhão de mortes ocorridas no País, 100 mil têm relação direta com o tabagismo.

No Brasil, as autoridades têm ampliado o cerco ao fumo. Uma portaria federal de março acabou com o uso de denominações como light e baixos teores. As embalagens de cigarros já trazem advertências diretas. Por exemplo: ''Fumar causa impotência sexual.'' Mas o Ministério da Saúde determinou que os maços de cigarro também reproduzam fotos que ilustrem os males causados pelo fumo. Uma das imagens mais chocantes é a de um bebê, filho de fumante, nascido prematuramente. Os maços devem chegar ao mercado em fevereiro.


Serviço: Para quem quer se livrar da dependência do fumo, o Hospital das Clínicas oferece dois serviços gratuitos: o Ambulatório de Cessação de Tabagismo do Incor (fone 5051-5455) e o Ambulatório de Tabagismo do Instituto de Psiquiatria (fone 3069-5000). Os interessados têm orientação e, se necessário, recebem antidepressivos e fazem reposição de nicotina, com adesivos.

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