Brasília, 12 (AE) - A decisão do governo brasileiro, anunciada hoje pelo presidente Fernando Henrique Cardoso durante o encontro com o presidente da Argentina, Carlos Menem, de suspender os financiamentos do Programa de Financiamento às Exportações (Proex) para as mercadorias destinadas aos países que integram o Mercosul , representa, na prática cerca de US$ 2 bilhões a menos no volume de exportações gerados pelo programa, incluindo bens de capital e de consumo, segundo o gerente da Unidade de Negócios com o Governo do Banco do Brasil, Nélio Henriques.
Considerando que este valor, que corresponde a 7% dos US$ 27 bilhões de operações de exportação geradas pelo Proex no ano passado, deixe de ser realizado este ano pelas empresas - por escassez de recursos -, também serão US$ 2 bilhões a menos no saldo da balança comercial brasileira.
O maior impacto do corte dos financiamentos nas modalidades empréstimos diretos e equalização das taxas de juros de recursos tomados no exterior bancados pelo Proex, deverá recair sobre as pequenas e médias empresas, segundo Henriques, uma vez que estas empresas fazem a maioria das suas exportações para a Argentina.
Além disso, ele explica que a Argentina representa a "porta de entrada" para os pequenos e médios empresários, em decorrência da proximidade e da facilidade com o idioma. "Se o empresário é bem sucedido nesse teste, ele se anima para experimentar outros mercados", afirma. Este dado é relevante na medida em que as vendas para a Argentina representam 95% das operações feitas pelo Brasil com o Mercosul.
Além do reflexo prático que a extinção dos financiamentos do Proex terá nas vendas para o Mercosul, alguns técnicos da área de comércio exterior ficaram preocupados com a sinalização que o comunicado conjunto assinado pelos presidentes Fernando Henrique e Carlos Menem representa, uma vez que não explicita que a exclusão será só para bens de consumo. Na realidade, começam a surgir dúvidas sobre a intenção do governo brasileiro em manter o programa. O orçamento do Proex para este ano foi de US$ 1,8 bilhão, mas este valor já sofreu uma defasagem de 37% em função da desvalorização cambial, uma vez que o orçamento é em real e se destina a equalizar operações realizadas em dólar.
Existe também a possibilidade de que novos cortes venham a ser feitos em decorrência da necessidade do governo de reduzir o déficit público.

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