Acordo pode pôr fim à greve
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sexta-feira, 24 de abril de 1998
Agência Estado 
France PressePressão por liberdadeO chileno Sergio Urtubia (e) e o argentino Humberto Paz chegam ao Hospital das Clínicas de São Paulo. Os dois estão em piores condições entre os dez sequestradores que estão em greve de fome há 13 diasUm acordo pode pôr fim à greve de fome dos dez sequestradores do empresário Abílio Diniz. O juiz Octavio Augusto Machado de Barros Filho, corregedor da Vara das Execuções Criminais de São Paulo, confirmou ontem as negociações para a solução do impasse, cujo desfecho seria uma solução jurídica e não política.
Se os prisioneiros suspenderem a greve de fome, que ontem entrou em seu 12º dia, a Justiça poderia estudar a possibilidade de reexaminar o processo dos sequestradores. Numa etapa posterior, eles poderiam obter o benefício da prisão em regime semi-aberto. Nesse caso, poderiam trabalhar fora durante o dia e à noite, dormir na prisão. Os sequestradores ficaram de dar uma resposta até segunda-feira.
Segundo o juiz, os consulados do Chile, Argentina e Canadá já concordaram em arrumar trabalho aos prisioneiros caso eles passem para o regime semi-aberto. O governo federal está acompanhando a negociação, que deve ser concluída segunda-feira com o retorno de dom Paulo Evaristo Arns, escolhido como mediador pelos prisioneiros, da reunião da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em Itaici.
Dois dos dez sequestradores tiveram de ser transferidos ontem da penitenciária do Estado para o Hospital das Clínicas de São Paulo. O estado de saúde do chileno Sergio Olivares Urtubia e do argentino Humberto Paz, 43 anos, piorou. A pressão de Paz, que é hipertenso e vinha apresentando pressão alta desde o início da greve de fome, subiu a 16 x 10. Urtubia está muito fraco, tem tonturas e dificuldade para andar.
O Comitê Contra a Perseguição Política no Brasil entregou ontem ao chefe de escritório do Ministério das Relações Exteriores, José Rache de Almeida, no Palácio do Itamaraty, no Rio, um abaixo-assinado com 3.000 assinaturas pedindo a expulsão dos sequestradores.


