Curitiba – O Governo do Paraná e os sindicatos que representam os professores e servidores das sete universidades estaduais firmaram um termo de compromisso ontem que pode abrir caminho para o fim da greve nas instituições. A assinatura ocorreu durante um encontro intermediado pelo líder do governo na Assembleia Legislativa (AL), Luiz Claudio Romanelli (PMDB), em Curitiba, que contou com a presença do secretário da Ciência e Tecnologia, João Carlos Gomes.
No documento, a gestão do governador Beto Richa (PSDB) se compromete a pagar o 1/3 de férias em parcela única até 31 de março e a descartar a proposta de unificação dos fundos previdenciário e financeiro, que permitiria à administração utilizar os R$ 8 bilhões acumulados para pagar os aposentados. Assim como já acordado com os educadores da rede básica, a ideia é que a nova mensagem seja discutida com o Fórum de Servidores e só depois enviada à AL.
O Executivo também revogou o Decreto nº 546/2015, que instituía um grupo de trabalho para debater a autonomia universitária, principal item da pauta de reivindicações. "Como o ambiente ficou ‘envenenado’, o governo revogou o decreto. Esse tema só voltará à discussão quando os atores todos decidirem, isto é, quando houver uma demanda da comunidade acadêmica", assegurou Romanelli.
Outros itens acordados são a elaboração de uma agenda positiva a ser discutida com os sindicatos a partir de maio, a retirada das universidades do Norte do Paraná (Uenp) e Estadual do Paraná (Unespar) do Meta 4, que é a base de dados de todos os servidores públicos do Estado, e a realização de concurso para contratação de docentes. A carta foi endossada pelo chefe da Casa Civil, Eduardo Sciarra.
O término da paralisação, contudo, depende da realização das assembleias dos 11 sindicatos, de docentes e técnicos. Na Universidade Estadual de Londrina (UEL), tanto o Sindiprol/Aduel, que representa os professores, como a Assuel Sindicato, dos servidores administrativos, devem se reunir na quinta-feira pela manhã. "O importante foi que o governo reabriu o diálogo, quase um mês depois do início da greve, que no nosso caso começou no dia 12", afirmou o presidente do Sindiprol/Aduel, Renato Lima Barbosa.
O sindicalista disse que a decisão de anteontem do Tribunal de Justiça (TJ-PR), garantindo o repasse do abono de férias ao funcionalismo da UEL, é um indício de que não haverá cobrança de multa à categoria. No dia 6, o desembargador Luiz Mateus de Lima determinou o imediato retorno ao trabalho dos professores e técnicos. O sindicato que descumprisse a decisão teria de desembolsar R$ 3 mil por dia.
Luiz Fernando Reis, do comando de greve do Sindicato de Docentes da Unioeste (Adunioeste), também contou que a assembleia da entidade será amanhã, mas no período da tarde, às 14 horas. "A avaliação é de que houve avanço. Mas evidentemente que o fim ou a suspensão da greve depende da decisão dos colegas professores", afirmou.

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