São Paulo, 21 (AE) - Uma associação que está prestes a ser fechada pode determinar o fim da exclusividade de canais na TV paga brasileira. Com a retomada das concessões de transmissão via cabo e microondas (MMDS), novas operadoras estão entrando no mercado, que ressurgiu muito mais competitivo após a desvalorização do real. Um dos grandes novos integrantes é a TV Cidade, que se prepara para operar em 14 municípios, entre eles Juiz de Fora, Niterói, Olinda, Aracaju, Volta Redonda, Recife e Salvador.
Essa posição estratégica está causando forte disputa entre a Net, que quer a TV Cidade como afiliada, e a recém-formada Cooperativa das Operadoras Independentes, a Neo TV
que busca fortalecer a base de assinantes para tentar pôr fim à exclusividade de canais. O diretor-geral da Globo Cabo Holding, Moysés Pluciennik, confirmou a existência de negociações, mas não quis comentar a tentativa de acordo com a TV Cidade. "Em respeito aos nossos parceiros de negócios e nossos investidores, não podemos comentar negociações em andamento", disse Pluciennik.
A TV Cidade, controlada pela Rede Bandeirantes, o Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), do empresário Sílvio Santos e os Diários Associados também não manifestou-se sobre o provável resultado das negociações, assim como a Neo TV. Fontes do mercado, no entanto, garantiram que a disputa está intensa e a TV Cidade está propensa a fechar o acordo com a Neo TV.
Exclusividade - Aliando-se à base de assinantes em potencial da TV Cidade, a Neo TV terá chumbo de sobra para exigir a quebra da exclusividade cedida pelas distribuidoras a grandes operadoras, disse Leila Loria, diretora-superintendente da TVA, que pertence à cooperativa. "Mesmo sem a TV Cidade, provavelmente vai dar para quebrar a exclusividade; se entrar, então, maravilha", comenta. Pelos cálculos da Neo TV, cerca de 80% dos novos grupos devem entrar para a cooperativa.
Das 214 concessões distribuídas a 52 grupos, 120 (56%) ainda não começaram a operar, segundo a revista especializada na área Pay TV. Entre as que estão em operação, as afiliadas à Net Brasil detêm 64% dos assinantes, a TVA e associados, 29%, e operadoras indepententes, 7%, segundo a mais recente pesquisa da Pay TV Survey, referente à julho. Os empreendedores da Neo TV acreditam que, com entrada das novas operadoras na cooperativa, essa participação de mercado deve mudar. Liberdade de escolha - A proposta da Neo é dar liberdade de opção para que as operadoras associadas possam formar seus pacotes de programação de acordo com suas próprias necessidades. "Eles vão ter direito a todos os canais comprados pela cooperativa, mas não terão de aceitar pacotes fechados, uma das principais queixas dos assinantes hoje em dia", disse Leila Loria. O diretor da Neo TV, Paulo Ricci foi ainda mais taxativo: "A realidade é que nós somos contra a exclusividade e a Globo é a favor".
Um porta-voz da Associação Brasileira de Telecomunicações por Assinatura (ABTA) disse que a entidade não pode opinar sobre a qualidade das estratégias das operadoras, já que reúne todas as empresas. "A Globo tem um modelo de franquia próprio".

mockup