Brasília, 13 (AE) - O acordo feito na madrugada de hoje entre líderes do governo no Congresso e a oposição para garantir a aprovação do Orçamento já está sendo contestado por líderes governistas. O líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA) disse há pouco que não participou de qualquer acordo e, por isso
seu partido não tem compromisso com a votação da Medida Provisória que reajustou o salário mínimo de R$ 151,00, marcada para o próximo dia 26, como ficou acertado entre os líderes do governo e da oposição.
"Se for circunstancialmente conveniente para o PMDB eu voto", informou o líder do PMDB, que teve hoje uma longa conversa com o presidente Fernando Henrique no Palácio da Alvorada. Geddel lembrou que o próprio presidente alertara, em reunião com ministros e líderes da base governista no Palácio do Planalto em março, que cobraria lealdade da base governista no Congresso. Essa advertência colocou o PFL em cheque: se votar com o governo, fica desmoralizado junto à opinião pública, uma vez que a direção do partido decidiu aliar-se à oposição na defesa de um piso de R$ 177,00; se votar contra, ficaria exposto a retaliações, que certamente serão cobradas pelo PMDB, que trabalha para ampliar seu espaço político no governo, com o estímulo de líderes do PSDB.
Alguns líderes governistas continuam atuando para encontrar uma "saída honrosa" para o PFL. Entretanto, a fixação da data de votação da MP do mínimo encurtou o prazo para o entendimento entre os partidos governistas. A grande dificuldade hoje é encontrar uma solução que atenda o PFL, mas represente para a opinião pública uma vitória de todos os partidos aliados.
ACM - Por outro lado, a fixação do dia 26 para a votação da medida provisória do salário mínimo possibilitou a saída honrosa para o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que no início desta semana ameaçou não colocar em votação o projeto de lei do Orçamento Geral da União se a votação da MP não fosse marcada. Essa "vitória" de ACM, no entanto, não agradou muitos parlamentares do PFL, que não querem ficar contra o governo nem se expor votando contra um aumento maior para o salário mínimo em um ano eleitoral.
Líderes pefelistas comentam nos bastidores que a base do partido está revoltada com ACM, porque considera que "o velho" - como os parlamentares chamam reservadamente o presidente do Congresso - "foi longe demais". "Acho que muita gente do PFL votará com o governo", prevê o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), que, nas conversas com os demais líderes governistas, assegura ter, em sua bancada de 106 deputados, pelo menos 80 votos fiéis.
Os negociadores dos partidos governistas estão tentando encontrar uma solução para evitar que o PFL vote contra o governo no dia 26 - data marcada para a votação da MP do salário mínimo. "Esperamos o bom senso das lideranças para chegarmos a um entendimento até o dia 26", disse hoje o líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE). Já o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), quer encontrar uma solução que não exponha "eventuais dissidências" em seu partido na votação do salário mínimo. Para fazer uma radiografia da bancada, ele reunirá os vice-líderes na próxima terça-feira. "Não temos pressa em votar o mínimo", afirmou. Mas a disposição do presidente do Congresso, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), é outra. "Quando se faz um acordo de lideranças e não se cumpre, acabou o Parlamento", afirmou ACM hoje, garantindo que deixará de participar das comemorações dos 500 anos da realização da primeira missa no Brasil, no dia 26, para presidir a votação da MP. "Venho cumprir o meu dever", assegurou.
Essas contradições na base aliada mostram que o quadro político em relação à votação da MP do salário mínimo ainda está indefinido. A única convicção dos líderes do governo é que o valor do salário mínimo não será alterado, qualquer que seja o resultado do conflito. "Se perdermos, o presidente veta", assegurou Arnaldo Madeira.

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