No Dia do Motorista e sob a proteção de São Cristóvão, os condutores do transporte coletivo de Londrina encerraram no início da noite de ontem a negociação salarial que se arrastava desde abril. Em votação secreta, que contou com 1142 votantes, a maioria absoluta da categoria aceitou a proposta feita pelas duas empresas que atuam na cidade e encerrou o estado de greve.
Do total de votantes, 714 trabalhadores aceitaram os 4,5% de reajuste nos salários oferecidos pelos patrões mais o plano de participação nos resultados (PPR) semestralizado, em vez do anuênio que atualmente é pago mensalmente. Mas em pelo menos um ponto tiveram de ceder: não haverá mais cobradores nas linhas consideradas deficitárias, a partir das 19 horas entre as segundas e sextas-feiras e aos sábados e domingos. Em contrapartida, os cobradores terão estabilidade de três anos, um ano mais do que na proposta anterior.
O acordo deverá ser assinado hoje e todos os ítens serão retroativos à junho, data-base da categoria. Os salários dos cerca de 750 motoristas passam para R$ 1.222,00 e o dos mais de 600 cobradores serão reajustados para R$ 759,00.
Além da opção pelo acordo, os trabalhadores também puderam votar pela continuidade do estado de greve, garantindo o funcionamento de 50% da frota nos horários de pico e de 30% nos demais horários, conforme exigência da Justiça. Esta opção teve 362 votos. Os condutores ainda tinham uma terceira opção preferir o dissídio coletivo, correndo risco de perder benefícios , que recebeu 57 votos.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Londrina (Sinttrol), João Batista da Silva, classificou a negociação salarial desse ano como ''extremamente dolorosa, porque gerou conflitos''. Depois de 16 anos sem paralisar o serviço, os trabalhadores endureceram este ano e pararam por dois dias (11 e 12 de julho) até serem obrigados pela Justiça a retomar as atividades. A cláusula mais problemática era a que envolvia a retirada de cobradores dos horários tidos como deficitários e que acabou sendo aprovada. Silva considerou que a cada ano a negociação retrocede mais, ''fato explicado, entre outras coisas, pela evasão de passageiros do sistema''.

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