São Paulo, 06 (AE) - Dificilmente o acordo para o regime automotivo do Mercosul sairá antes da posse do presidente argentino, Fernando de la Rúa, no dia 10. Os representantes das montadoras do Brasil e da Argentina deixaram para dia 15 uma reunião inicialmente agendada para esta semana. Começa a aumentar a possibilidade de os dois países adiarem a negociação por mais três meses. Mas para isso, os governos precisam do aval da Organização Mundial de Comércio. Este ano, a participação da Argentina nas exportações de veículos produzidos no Brasil caiu de 40% para 20%.
O ritmo de importações também caiu. No mês passado, o Brasil importou da Argentina 9.407 veículos, 72% menos do que em novembro de 1998. No acumulado do ano, as importações de veículos produzidos na Argentina representaram uma queda de 48 38% na comparação com a soma de janeiro a novembro de 1998 - total de 165.804 unidades. Os dados são da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Se as negociações forem postergadas por 90 dias, até o final deste prazo serão mantidas as regras atuais para evitar a cobrança de Imposto de Importação no intercâmbio de carros e peças entre os dois países. Se não houver acordo ou prorrogação das regras atuais, a partir do dia 31 o comércio de veículos entre Brasil e Argentina incluirá alíquota de II de 35%.
Exigência argentina - O impasse nas negociações para o novo regime automotivo se concentra no receio dos argentinos de perder espaço na indústria automotiva. Nas últimas negociações eles pediram para que o acordo lhes garanta superávit mínimo em veículos. A reivindicação é a manutenção anual de superávit igual ao do ano passado, que somou mais de U$ 700 milhões em favor dos argentinos.
O pedido dos argentinos vai contra um processo natural de saída das empresas do país vizinho em razão da diferença de custos. Algumas montadoras estão transferindo linhas de produção
como a General Motors, que está fechando a fábrica de Córdoba e passará a produzir a picape Silverado no Brasil. Empresas de autopeças estão seguindo o mesmo caminho.
Bastidor - Nos bastidores, fontes da indústria explicam que a vontade de fazer o acordo com superávit vem do governo argentino. Na verdade, as montadoras que estão na Argentina são as mesmas que estão no Brasil e o comando das fábricas em todo o Mercosul parte do Brasil. Estas mesmas empresas não têm interesse em pagar mais para produzir na Argentina, sendo que a maior parte dos produtos é vendida no Brasil, que tem um mercado três vezes maior que o do seu vizinho.
A indústria automobilística dividiu as linhas de produção entre Brasil e Argentina visando o Mercosul e obedecendo estratégias de mercado e de produção industrial. Assim Ford, por exemplo, fabrica o Escort na Argentina. A Volkswagen faz o Gol nos dois países. Mas o Polo Classic vem do país vizinho. Fiat faz Palio nos dois países e recentemente transferiu a produção do Siena para cá. Também na Argentina são produzidos a picape Hilux da Toyota e o Jeep Grand Cherokee, da Chrysler. Há ainda intercâmbio de componentes. A Scania faz motores no Brasil, mas as caixas de câmbio vem do país vizinho.

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