Acordo mantém invasor e dono sob o mesmo teto
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segunda-feira, 30 de agosto de 2004
Silvana Leão<br>Reportagem Local 
A casa de número 32, na quadra 15 do Conjunto Jamile Dequech II (Zona Sul de Londrina), está sendo palco de uma situação inusitada, com proprietário e invasor vivendo sob o mesmo teto. O imóvel integra um conjunto de 241 casas construídas pela Companhia de Habitação de Londrina (Cohab/Ld), dentro do Plano de Subsídio Habitacional de Interesse Social (PSH). As chaves foram entregues aos proprietários no dia 17 de abril, mas ainda há mais de 30 casas fechadas.
Até uma semana atrás, a casa da quadra 15 era uma delas. Foi quando o pedreiro Alécio Raddi, 61 anos, resolveu ocupá-la. ''O dono do cômodo onde eu morava vendeu o imóvel e eu tive que desocupar. Vim para cá porque não tenho para onde ir'', afirma Raddi. O pedreiro se diz disposto a lutar pelo imóvel. ''A casa tinha que ter sido ocupada no prazo de 30 dias, e não foi. Além do mais, todo mundo por aqui sabe que o dono estava tentando vender o imóvel por R$ 1,5 mil.''
Um morador do conjunto, Vitor Daniel, 27 anos, confirmou que o proprietário pediu a ele que arrumasse um comprador para casa. ''Só que quando arrumei uma pessoa disposta a pagar os R$ 1,5 mil, ele desistiu, alegando que ia tentar conseguir um valor maior.'' Daniel diz já ter intermediado a venda de outras duas casas no local. De acordo com o contrato assinado com a Cohab e Caixa Econômica Federal, a negociação é proibida, mas, segundo os moradores, é bastante comum no local.
Ainda de acordo com vizinhos, a casa ocupada por Raddi vinha sendo depredada por vândalos. A residência está sem energia por causa do roubo da fiação elétrica. O proprietário do imóvel, o aposentado Takanori Nakashima, de 57 anos, argumenta que ainda não o tinha ocupado porque estava tentando juntar dinheiro para construir um muro. ''Sou sozinho, não posso morar em um lugar que não tenha segurança.'' No momento em que a reportagem chegou ao local, porém, ele estava acompanhado de uma mulher, que seria a dona da casa onde mora. O aposentado negou que estivesse tentando vender o imóvel.
Ontem à tarde Nakashima chamou a Polícia Militar para tentar resolver o conflito. Ficou acordado que ambos permaneceriam na casa até hoje, quando o caso deve ser levado à Cohab. O presidente da Companhia, Carlos Eduardo de Afonseca e Silva, disse que, se a situação for confirmada, nenhum dos dois poderá permanecer na casa. ''Não fomos notificados oficialmente. Mas, se o fato for confirmado, nenhum deve ficar lá'', salientou. Afonseca destacou também que o contrato com a Cohab pode ser cancelado se for provado que o mutuário está tentando vender o imóvel. (Colaborou Fernando Rocha Faro)


