Acordo irá recuperar dinheiro do tráfico
Agência Estado
O governo brasileiro vai fechar um acordo com o governo da Suíça para recuperar metade do dinheiro que narcotraficantes brasileiros estão depositando no país. O governo localizou depósitos feitos pela traficante Sâmia Haddock Lobo e seu marido, Antônio da Motta Graça, o Curica. Oficialmente, o governo brasileiro foi informado que foi bloqueada uma conta com pouco mais de US$ 700 mil.
Um trabalho de investigação da Polícia Federal com a Receita Federal, no entanto, identificou transferências do casal para a Suíça no valor total de US$ 10 milhões. Curica prestou depoimento ontem na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico, quando afirmou ter sido convidado para participar do esquema de tráfico em aviões da Força Aérea Brasileira (FAB).
No próximo mês, o secretário Nacional Antidrogas, Walter Maierovitch, vai à Suíça para finalizar os detalhes do acordo. O secretário já agendou encontro com a procuradora-geral da Suíça, Carla De Ponti, para discutir as cláusulas. Mas já está definido que o acordo seguirá as mesmas bases de um outro que a Suíça fechou com os Estados Unidos.
A pedido dos EUA, o governo suíço devolveu àquele país a metade dos US$ 175 milhões depositados em contas suíças pelo narcotraficante colombiano Júlio César Nasser Davi. Ele levava cocaína para os Estados Unidos e a Europa e depositava o dinheiro em bancos suíços, operações que eram feitas pela sua esposa, Sheila Arana.
O esquema de Júlio César e Sheila era semelhante ao do casal Sâmia e Curica, que buscava cocaína na Colômbia e levava para a Europa e Estados Unidos. Maierovitch disse que o acordo sugerido pelos Estados Unidos é uma das poucas chances de o Brasil resgatar o dinheiro.
O tipo de acordo que divide o dinheiro entre o país onde está a conta bloqueada e o país solicitante é uma forma de estimular o combate ao narcotráfico nas duas nações. Segundo Walter Maierovitch, tudo que for encontrado no nome de Sâmia, e que for recuperado para o Brasil, vai ser investido nas ações de combate ao narcotráfico.
Maierovitch afirmou que o casal, nos processos a que respondem na Justiça Federal, diz que a origem do dinheiro estaria no ouro que encontraram em garimpos na Amazônia. Eles chegaram a citar 200 quilos de ouro na declaração de bens da Receita Federal. Maierovitch acredita que esta seja uma forma esperta de lavar o dinheiro do narcotráfico. Seriam necessárias várias serras peladas para que explorassem 200 quilos de ouro em um ano.
Curica prestou depoimento anteontem na CPI do Narcotráfico, mas não revelou a rede de narcotraficantes que atua no Brasil, conforme prometera em sessão secreta, na semana passada. Ele afirmou em nova sessão secreta realizada ontem que vários advogados o procuram no Presídio do Carandiru, mas não disse seus nomes.
A CPI decidiu convocar para depor hoje a atual companheira de Curica, Silvana de Castro, que se apresentou ontem como advogada do traficante. Mas Curica revelou que Silvana é sua atual mulher. O relator da CPI, deputado Morone Torgan, disse que Curica poderia estar armando outro plano de fuga ao pedir sua transferência para Manaus, para supostamente ficar perto da família.





