Acordo impõe restrições a venda de produtos químicos
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domingo, 23 de abril de 2000
Por Demétrio Weber 
Brasília, 24 (AE) - A Organização para a Proibição das Armas Químicas (Opaq), que reúne 134 países, entre eles Brasil, Estados Unidos e Rússia, vai impor restrições à venda de produtos químicos em escala mundial a partir de sábado (29). O acordo, previamente acertado, prevê que 14 tipos de substâncias usadas por indústrias como a farmacêutica, de herbicidas e petroquímica só poderão ser comercializados entre os países-membro.
O motivo da restrição é que essas substâncias são classificadas como de uso duplo, ou seja, podem ser aproveitadas tanto pela indústria civil, com fins pacíficos, quanto na preparação de armas químicas com objetivos militares ou terroristas. A medida não causará prejuízo ao Brasil. Em 2002 restrição semelhante deverá ser adotada em relação a outros 17 tipos de substâncias.
"A tinta de caneta esferográfica tem um produto que será controlado", disse o diretor-geral da Opaq, embaixador brasileiro José Maurício Bustani, citando o alcance da proibição. Desde que foi criada, há três anos, a Opaq fez mais de 700 inspeções no Brasil e em outros 30 países e acompanhou a destruição de 4 mil toneladas de armas químicas, a maior parte delas nos Estados Unidos.
ustani apresentou ao presidente Fernando Henrique Cardoso um balanço da atuação da Opaq. O diretor-geral, que visitou recentemente a Argentina, o Chile e o Uruguai, destacou a importância de o Brasil projetar, no cenário internacional, o fato de ser um país pacífico em relação aos objetivos de sua indústria química. "Isso poderá atrair investimentos externos"
afirmou Bustani.
Arsenal - Há no mundo pelo menos 66 mil toneladas de armas químicas, volume suficiente para destruir toda a população do Planeta. A maior parte desse arsenal (40 mil toneladas) pertence à Rússia, que ainda não deu início ao programa de destruição coordenado pela Opaq, por causa de dificuldades econômicas - a destruição deverá ter início no ano que vem. Segundo Bustani, o custo da operação na Rússia está orçado em US$ 8 bilhões.
"É uma tarefa complexa, que exige a construção de uma fábrica para destruir as armas", disse o diretor-geral. Além da Rússia e dos Estados Unidos (que detém cerca de 30 mil toneladas de cargas químicas), apenas a Índia e um quarto país - que pediu à Opaq para não ser identificado - possuem esse tipo de arma. Iraque, Israel, Líbia, Síria e Egito não fazem parte da organização.
Bustani informou que os Estados Unidos deverão destinar recursos para auxiliar na destruição de cargas russas. De acordo com a Convenção sobre a Proibição do Desenvolvimento, Produção, Estocagem e Uso de Armas Químicas e sobre sua Destruição, a Rússia e os demais países deveriam ter acabado até este ano com pelo menos 1% de seus arsenais. Nos Estados Unidos, cerca de 10% das cargas já foram destruídas. A convenção prevê que até 2007 os países membro não tenham mais armas químicas.


