São Paulo, 11 (AE) - Desde março, quando entrou em vigor o acordo de emergência do setor automobilístico, os fabricantes de autopeças contrataram 3 mil novos funcionários. A informação foi dada hoje pelo presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), Paulo Butori.
De acordo com Butori, desse total, mil contratações foram feitas na capital, 800 na região do ABC e 1,2 mil em outras localidades. Até março, as autopeças empregavam 162,3 mil trabalhadores.
O diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Adi dos Santos Lima, confirmou que ocorreram contratações na base da entidade nos últimos dois meses mas, de acordo com ele, teriam sido de 700 trabalhadores em vários segmentos e não somente nas autopeças. A base do sindicato hoje é de cerca de 100 mil metalúrgicos.
O acordo de emergência estabeleceu a manutenção do nível de emprego na cadeia automobilística até o dia 4 de junho. Somando também as montadoras e os revendedores, o setor emprega aproximadamente 500 mil pessoas.
Hoje, o presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Hugo Maia, anunciou que as revendas não vão assinar nenhum novo acordo se as montadoras mantiverem os reajustes anunciados no início do mês.
"As vendas estão paradas e não podemos garantir emprego para nenhum funcionário nessas condições", disse Maia. Só a rede de concessionários emprega cerca de 270 mil pessoas.
Ele prevê para este mês vendas de 80 mil veículos no varejo, 36% abaixo dos resultados de abril. A Fenabrave está orientando os associados a suspenderem as compras das montadoras para evitar estoques. "Só vamos retirar carros que já estejam vendidos", disse.
Na segunda-feira, representantes dos sindicatos dos metalúrgicos de São Paulo e do ABC vão se reunir com a direção da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) para discutir garantia de emprego e salários.

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