São Paulo, 10 (AE) - No quarto dia de atuação da Guarda Civil Metropolitana (GCM) na Rua 25 de Março, no centro, os ânimos acalmaram-se e, por causa de um acordo feito ontem à noite entre o Sindicato dos Permissionários do Estado de São Paulo (Sinpesp) e a Secretaria das Administrações Regionais (SAR), os camelôs puderam ocupar as ruas transversais.
A trégua, porém, deve ser passageira. O presidente da Associação dos Camelôs Independentes de São Paulo, Gilberto Monteiro, entregou hoje um documento ao presidente da Câmara Municipal, vereador Armando Mellão (PMDB), pedindo urgência na votação do projeto de lei que legaliza os marreteiros, além da retirada da GCM das ruas, numa espécie de anistia até o dia 5 de janeiro. "Não dá mais tempo de resolver a situação agora e a gente precisa trabalhar; é um pedido justo."
Se não conseguirem o que pedem, os camelôs prometem unir forças e fazer uma manifestação na terça-feira que, segundo o presidente do Sindicato dos Camelôs Independentes, Afonso José da Silva, terá apoio de Vicentinho, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), e do presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho.
"Aí vai ser pra valer, vamos reunir os camelôs de toda a cidade", prometeu Afonso, escoltado por sete seguranças engravatados.
Os deficientes físicos foram os primeiros a ocupar as ruas transversais à 25 de Março. Ninguém está muito confiante de que terá posto seguro de trabalho. "Não vai caber todo mundo aqui e vai acabar dando confusão, como sempre", comentou o ambulante Valter Rodrigues, de 49 anos.
Gilberto Monteiro calcula que cerca de 1.500 camelôs trabalhavam na 25 de Março. "O que conquistamos hoje foi uma grande vitória, mas é óbvio que vai faltar espaço, por isso estamos pedindo a anistia."
Segundo a Assessoria de Imprensa da SAR, pelo acordo, 480 camelôs devem ir para o Bolsão Fernando Costa e apenas 185 poderão ficar nas tranversais.

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