São Paulo, 07 (AE) - Fracassou a tentativa de acordo entre empresas de ônibus, motoristas e cobradores sobre a participação dos empregados nos lucros das empresas. Em reunião de conciliação, hoje, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) julgou a greve abusiva. Os trabalhadores só ganharam a suspensão das demissões. Mas não vão receber pelas horas paradas nos dois dias em que durou a paralisação. De volta ao sindicato, uma assembléia decidiu pela volta imediata ao trabalho, como havia determinado o TRT.
No segundo dia de greve, aproximadamente 50% da frota deixou de circular e cerca de 2,5 milhões passageiros voltaram a ficar sem condução. Os prejuízos passam de R$ 5 milhões, somando-se os dois dias de paralisação.
Mais uma vez, o rodízio e a Zona Azul foram liberados. Durante a manhã, o congestionamento bateu pelo segundo dia consecutivo o recorde do ano. Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), às 9 horas, foram registrados 116 quilômetros de lentidão na capital.
Às 11h15, um ônibus da Viação Penha-São Miguel foi atingido por vários tiros. O carro chegava à garagem, no Jardim Dânfer, na zona leste, quando foi baleado por manifestantes. Ninguém ficou ferido. Durante todo o dia, houve 12 depredações de ônibus
o dobro das ocorrências registradas ontem.
À tarde, durante a reunião de conciliação no TRT, o juiz José Victorio Moro propôs a nomeação de peritos - dos sindicatos patronal e dos condutores e um terceiro do tribunal - para que os resultados apresentados pelas empresas para justificar o pagamento da participação nos lucros fossem verificados. Os empresários recusaram a proposta.
Insatisfação - Os atritos da categoria com as empresas começaram na semana passada. Motoristas e cobradores ficaram insatisfeitos com o valor que receberiam por participação nos lucros e resultados. Das 54 empresas do sistema, 16 não pagariam nada aos funcionários e apenas uma pagaria R$ 145,00. Ontem, mais seis empresas tinham decidido pagar cerca de R$ 150,00.
O acordo que previa o pagamento foi feito no ano passado e estabelecia um valor máximo de R$ 300,00. A quantia seria paga de acordo com os resultados de cada empresa. Seriam considerados o número de acidentes, de faltas ao trabalho e de carros que quebram no meio do percurso e precisam ser substituídos.
As empresas deveriam divulgar a avaliação desses itens periodicamente, em seus jornais ou em murais. O Transurb, sindicato patronal, informou que isso foi feito. A categoria reclama por não ter tido acesso a esses dados.
Criado o impasse, a São Paulo Transporte (SPTrans) propôs na semana passada um valor único para todas as empresas: R$ 150,00. Como não houve acordo, a categoria passou a pedir R$ 200,00. O Transurb não abriu mão do que foi fixado em 1998, aceitando apenas o pagamento proporcional aos resultados de cada empresa. (Colaborou Rosa Bastos)

mockup