Acordo evita confronto em área invadida
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sexta-feira, 19 de maio de 2000
Osmani Costa De Londrina 
Um acordo firmado ontem no Fórum de Londrina, sob coordenação do juiz da 10ª Vara Cível Mário Nini Azzolini, vai evitar um anunciado confronto que possivelmente ocorreria entre a Polícia Militar (PM) caso ela fosse cumprir mandado de reintegração de posse e as cerca de 500 famílias de sem-terra que há mais de um mês invadiram a Fazenda Tamar, no município de Tamarana (65 km ao sul de Londrina). A PM aguardava, desde o início do mês, uma ordem do governo do Paraná para o cumprimento do mandado judicial; enquanto que os sem-terra tinham avisado que não deixariam a área pacificamente.
O acordo, inédito no Paraná, estabelece que o proprietário da fazenda, empresário paulista José Aníbal Mota, permitirá que as famílias organizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) permaneçam em dois alqueires por mais 60 dias, prazo em que a superintendência do Incra se obriga a cadastrar as famílias, fornecer a elas cestas com alimentos básicos, e a encontrar uma área definitiva para o assentamento.
Participaram da audiência convocada pelo juiz Azzolini representantes do MST, uma advogada do fazendeiro, diretores do Centro de Direitos Humanos (CDH) de Londrina e a superintendente adjunta do Incra no Estado, Maria Rosalina Arend. As negociações duraram o dia todo. No final, aparentemente o resultado agradou todos os lados envolvidos.
O mais importante do acordo é que termina a tensão em que as famílias vivem no acampamento e evita-se um confronto que poderia trazer consequências graves, comentou o advogado Josinaldo Veiga, membro do CDH.
A superintendente do Incra salientou que o órgão ficou com a parte mais difícil do acordo, mas que ele foi razoável porque aponta para uma solução pacífica. Ainda não contamos com área disponível para a mudança das famílias, mas vamos prosseguir as vistorias e econtrá-la dentro do prazo acordado, afirmou Maria Arend. Ela ressaltou que o órgão vai vistoriar neste ano cerca de 100 imóveis passíveis de desapropriação ou compra para fins da reforma agrária no Paraná, onde a meta é assentar entre duas e três mil famílias. (Colaborou Telma Elorza)


