Acordo estabelece trégua em Ramilândia
Israel Reinstein
De Curitiba
Um acordo entre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o proprietário da Fazenda Casa Amarela, no município de Ramilândia (110 quilômetros ao norte de Foz do Iguaçu), deve diminuir a tensão na região. Ontem, o ouvidor agrário do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Gersino José da Silva Filho, anunciou que foi estabelecida uma trégua entre sem-terra e o proprietário da área. Na semana passada, houve um tiroteio no local, que deixou sete pessoas feridas.
O ouvidor nacional, que esteve em Curitiba, depois de ir a Ramilândia no fim de semana, explicou que os sem-terra se comprometeram a esperar uma decisão do instituto, não realizando mais nenhuma manifestação. Ao mesmo tempo, o proprietário não tentará reaver as terras, sem ter uma decisão judicial. A princípio, os conflitos no local estão solucionados, disse.
Gersino José da Silva Filho explicou que o acordo não prevê a desocupação da área, nem ao menos das casas dos funcionários tomadas pelos sem-terra. No sábado, as últimas duas famílias de trabalhadores da fazenda, que permaneciam morando na sede da propriedade, saíram do local.
Silva Filho disse que a superintendência local do Incra comprometeu-se a agilizar a vistoria da propriedade. Um dos pontos que deve ser analisado é o registro da terra. Por estar em área de fronteira, o ouvidor quer saber se elas ainda não pertencem à União.
Quanto ao número de famílias a ser assentadas, ele estima que fique em torno de 47. Atualmente, existem 94 no acampamento dos sem-terra. Se houver descumprimento do acordo, o ouvidor avisa que os envolvidos serão processados. Independentemente da ação da ouvidoria, corre no município um inquérito policial para saber a autoria dos disparos.
O ouvidor visitou, durante o fim de semana, a Fazenda Mitacoré, em São Miguel de Iguaçu. Segundo Silva Filho, os 1.098 hectares da propriedade serão divididos entre os sem-terra e o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). Provavelmente, será uma situação mista, em que o Iapar terá uma parcela para realizar pesquisa, declarou.
Silva Filho informou que o número de famílias a ser atendidas na região vai ser definido depois de se estabelecer um acordo com o MST.Sem-terra prometem suspender manifestações até decisão do Incra e proprietário não tentará desocupar a área sem permissão judicial
Arquivo FolhaPazO ouvidor Gersino José da Silva Filho: A princípio, os conflitos no local estão solucionados





