Buenos Aires, 28 (AE) - Integrantes da equipe econômica argentina anunciaram nesta sexta-feira (28) que o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) será anunciado amanhã, durante o Worl Economic Forum em Davos, Suíça. O secretário de Fazenda, Mario Vicens, declarou que o vice-presidente do Fundo, Stanley Fischer, fará o anúncio.
Referindo-se ao fundo de contingência que será concedido pelo órgão internacional, Vicens disse que o acordo terá caráter de "precaução", pois argumentou que a Argentina "não precisa desse dinheiro" e que poderá conseguir facilmente fundos para seu financiamento este ano.
A principal polêmica entre o FMI e a equipe econômica, que bloqueou as negociações nas últimas três semanas, havia sido o déficit fiscal das províncias argentinas.
O FMI pedia um grande ajuste que os argentinos recusavam, alegando que era inconstitucional para o governo federal intervir dessa forma nas províncias. Mas esse ponto acabou ficando fora.
Segundo Vicens, "o governo não deve nem pode se meter no que as províncias fazem com seus recursos". No entanto, Vicens afirmou que foi combinada uma "meta indicativa" para as províncias para o ano 2000, mas que somente inclui as dívidas sobre as quais o governo federal tem alguma espécie de controle.
O secretário sustentou que estas metas serão divulgadas daqui a 15 dias, quando a carta de intenções tenha sido aprovada por todos os departamentos do FMI.
Vicens também afirmou que ficou estabelecido com o Fundo que a meta de déficit fiscal nacional neste ano será de US$ 4,7 bilhões. "Destes, US$ 4,5 bilhões são os autorizados pelo orçamento, e os restantes US$ 200 milhões, decorrentes do processo de reestruturtação da previdência."
O secretário declarou que o valor do fundo de contingência destinado à Argentina somente será anunciado pelos integrantes do FMI em Davos.
Vicens não quis confirmar as diversas especulações em Buenos Aires, que oscilavam entre US$ 5 bilhões e US$ 7 bilhões, e somente afirmou que "é uma boa quantia de dinheiro".
Sobre a meta de crescimento para este ano, sustentou que seria de 4,5%, mas que havia uma meta alternativa de 3,5%, "caso o crescimento não seja o esperado".
O secretário afirmou que o acordo será um "stand by" com uma duração de três anos, que irá até 2002. Segundo Vicens, no acordo com o Fundo nada ficou estipulado sobre reformas no sistema de planos de saúde, nem sobre a transformação do Banco de La Nación em sociedade anônima.
Vicens também afirmou que a dívida externa não foi tratada nas negociações com o FMI. "Não vemos porque atrasar o pagamento dos vencimentos da dívida neste ano", disse.

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