São Paulo, 10 (AE) - De todos os acordos já firmados entre setor automotivo e governo, o acordo emergencial que está prestes a ser fechado foi o que levou menos tempo para ser elaborado. Em apenas 15 dias, sindicatos, montadoras, fabricantes de autopeças e governo chegaram a mais um entendimento tripartite. O caráter emergencial faz com que este acordo sirva de ponte a um programa definitivo para renovação da frota.
A proposta inicial de sindicatos de metalúrgicos ligados à CUT e Força Sindical para um acordo emergencial de reativação de venda de veículos é bastante parecida à que foi fechada. Previa a redução das alíquotas de IPI de 10% para 5% nos carros populares, de até 1000 cilindradas - como foi acertado - e de 25% para 15% nos veículos até 127 HP (a proposta fechou em 17%).
Os carros de luxo, com IPI de 35%, não foram beneficiados. A proposta previa redução para 25%. Com mais a redução da alíquota de ICMS de 12% para 9% e o cancelamento dos aumentos de preços recentes, haveria uma diminuição de preços de 11,3% em média.
Os sindicalistas foram a Brasília respaldados pelo apoio do governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB). O aumento das vendas previsto com a redução do preço deverá compensar a perda na arrecadação com a renúncia do ICMS, segundo anunciou o vice-governador, Geraldo Alckmin durante os entendimentos com os sindicalistas.
Segundo Alckmin, o governador Covas aceitou apoiar o acordo emergencial "em razão da importância do setor na manutenção de empregos". Na semana passada, a indústria de autopeças aceitou entrar no acordo emergencial.
O Sindipeças (Sindicato Nacional dos Fabricantes de Autopeças) também aceitou garantir estabilidade no emprego. Segundo o presidente da entidade, Paulo Butori, a indústria de autopeças teria que demitir 50 mil trabalhadores, de um total de 167 mil se o mercado ficasse em 1,1 milhão de veículos este ano.
Também na semana passada, houve a adesão da indústria de caminhões e ônibus. As montadoras de veículos pesados concordaram em dar estabilidade no emprego. Mas, além da queda de impostos, prevista também no acordo com o segmento de automóveis, essa negociação inclui a concordância do governo para mudanças nas linhas de financiamento.
O setor de caminhões quer aumentar o limite do crédito, via Finame, de 60% para 100% do valor do bem, aumento do prazo de pagamento de 5 para 6 anos, com carência elevada de 6 meses para um ano e a inclusão da pessoa física nos programas de financimamento. Na questão dos impostos, o segmento de caminhões e ônibus já é beneficiado por alíquotas mais baixas de IPI, mas reivindica a redução do ICMS.
Reajustes - O impasse surgiu quando os sindicalistas exigiram das montadoras a suspensão dos aumentos de preços anunciados nas três últimas semanas por conta do aumento de custos com peças importadas e repasse de aumento de Cofins.
Os preços dos carros subiram três vezes este ano. O primeiro, entre 1% e 4%, foi o repasse da elevação do IPI. Em seguida, as montadoras reajustaram os preços entre 2% e 11% por conta da desvalorização cambial. Há duas semanas foi a vez do repasse do aumento da Cofins, que somou entre 2,6% e mais de 4%.
Na quinta-feira passada, as montadoras mandaram, por meio da imprensa, um recado ao governo demonstrando irredutibilidade na questão dos aumentos.
Numa entrevista coletiva sobre o desempenho do setor no mês passado, o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto, ameaçou reajustar os preços ainda mais. Ele explicou que a indústria havia repassado somente uma parte do aumento de custos com a desvalorização cambial. O recado foi dado em meio às negociações com o governo.

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