Brasília, 14 (AE) - A redução das alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis provocou uma queda de 69,49% na arrecadação desse tributo em março, na comparação com o mesmo mês no ano passado. Em relação a fevereiro deste ano, quando ainda não vigorava a redução, houve uma queda de 56,25% do IPI. "Todos os números mostram que houve uma redução de alíquotas com redução de arrecadação", afirmou o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel.
Maciel evitou fazer comentários sobre o acordo fechado pelo governo com as montadoras e trabalhadores, que resultou na redução do IPI, mas fez questão de afirmar que a tese de que uma alíquota menor aumentaria as vendas de veículos e, consequentemente, aumentaria a arrecadação, não se sustenta. "Para os carros, (a redução da aliquota) não tem servido", afirmou Maciel, categórico.
Ele informou que a área de Fiscalização da Receita Federal está concluindo um levantamento das montadoras, por categoria de veículos, com faixa de alíquotas, de todos os créditos e débitos. O secretário disse que, com esse levantamento, a Receita disporá de uma análise segura e profunda dos dados, separando o efeito sazonal do setor dos números.
Maciel informou que o levantamento será feito a partir de 1997 e recolherá todos os dados até março de 99. Disse que o levantamento já está concluído até dezembro do ano passado. "Esse levantamento vai descontaminar os números, vai escaneá-los." Com isso, segundo Maciel, a Receita poderá efetivamente demonstrar que a redução das alíquotas do IPI provoca uma queda na arrecadação. "Eu gosto de apresentar a eloquência dos números", afirmou o secretário.
O acordo de redução das alíquotas entrou em vigor em março e terminará no início de maio deste ano. A Assessoria de Imprensa do Ministério da Fazenda informou que o ministro Pedro Malan vai aguardar até o início de maio para avaliar os dados do setor.

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