Acordo divide PT e irrita deputado radical do PPB
A transferência dos sequestradores a seus países de origem está dividindo até mesmo o PT. O deputado Chico Vigilante (PT-DF), por exemplo, pretendia fazer ontem na Câmara um discurso condenando a atitude do governo brasileiro. Eles cometeram crime hediondo e devem pagar por isso, afirmou Chico à Agência Estado. O discurso não pôde ser feito porque a morte do senador Humberto Lucena adiou todos os trabalhos no Congresso.
Chico Vigilante disse que o Brasil não comporta mais crimes do tipo do sequestro do empresário Abílio Diniz. Ele afirmou, ao condenar a transferência dos envolvidos no crime: Meu temor é que isso possa incentivar a bandidagem. Segundo Vigilante, é inaceitável que o governo facilite a vida dessa gente. O deputado José Genoíno (PT-SP) foi cauteloso ao se referir ao acordo entre o Brasil e o Canadá, para a transferência de presos. Acho que isso só funciona se houver uma atitude recíproca por parte do governo do Canadá.
O deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP) deu apoio à assinatura do acordo que permitirá transferir os canadenses Christine Lamont e David Spencer para seu país de origem. O deputado Ivan Valente (PT-SP) é da corrente dos que apóiam a transferência dos presos. Ele até foi visto em um ato público de apoio à greve de fome que os envolvidos no sequestro estavam fazendo.
A atitude mais radical contra o acordo entre o Brasil e o Canadá foi do deputado Jair Bolsonaro (PPB-RJ), capitão da reserva do Exército que tentou e não conseguiu assumir a presidência da Comissão dos Direitos Humanos da Câmara há menos de um mês. Bolsonaro enviou ao secretário nacional dos Direitos Humanos, José Gregori, uma carta com extrema agressividade.
Sua atual façanha de convencer o governo a trocar marginais com o Canadá choca todas as pessoas de bem, principalmente os trabalhdores e contribuintes, escreveu Bolsonaro. Segundo ele, o exemplo negativo deste ato de trocar presos como garotos trocam figurinhas não pode ser a regra para a juventude. (João Domingos).





