Ed Ferreira/Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)
NegociaçãoO ministro Íris Rezende (e), cumprimenta o presidente da Contag, Francisco Urbano (d), na reunião com o GTB O ministro da Justiça, Íris Rezende, vai articular uma reunião, para a segunda semana de agosto, reunindo as entidades promotoras do 4º Grito da Terra Brasil e os líderes dos partidos que formam a base de apoio ao governo, para agilizar a aprovação dos projetos que tramitam no Congresso Nacional e são de interesse dos trabalhadores rurais e demais segmentos que promovem o GTB.
O compromisso foi assumido ontem pelo ministro em sua primeira reunião com os dirigentes de entidades promotoras de Grito da Terra, reafirmando uma disposição do ministério que já havia sido assumida pelo ministro interino Milton Seligman.
A reunião que deu prosseguimento a negociação mantida desde maio foi conduzida pelo secretário executivo do ministério, José de Jesus, e definiu outras propostas que serão desenvolvidas em parceria com as entidades do GTB, para reduzir os conflitos e a violência no campo.
Um novo encontro está previsto para a segunda quinzena de agosto, para que seja feito um monitoramento dos avanços já garantidos.
O encontro definiu que a Secretaria de Direitos Humanos vai discutir a possibilidade de criação de mecanismos de acompanhamento dos processos que apuram crimes no campo.
De 1985 a 1996, foram registrados 976 assassinatos no campo, mas em apenas 51 casos houve julgamento dos acusados, dos quais somente 13 eram mandantes. Somente nos primeiros meses deste ano já ocorreram 18 mortes. O secretário pediu que a Comissão Pastoral da Terra, que anualmente produz um relatório sobre os conflitos no campo, encaminhe a listagem completa dos crimes cometidos contra trabalhadores rurais, nos últimos anos, para que o ministério faça a acompanhamento dos processos já em andamento.
José de Jesus confirmou a criação do Comitê de Mediação dos casos de conflito no campo que já havia sido anunciado por Milton Seligman e afirmou também que será feita designação de juízes e promotores especiais para acompanhamento dos casos de Corumbiara - 11 mortos e Carajás - 19 mortos.
Saque - Trabalhadores rurais sem terra do maior acampamento de Mato Grosso do Sul, com 2.163 famílias, saquearam ontem quatro caminhões carregados com mais de 54 toneladas de alimentos na rodovia BR-163, a 350 quilômetros de Campo Grande (MS). A Polícia Rodoviária Federal improvisou um desvio que aumenta em cem quilômetros a distância da capital à divisa com o Paraná. Líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que organiza o acampamento, disseram em Campo Grande que a ‘‘fome’’ motivou os saques. ‘‘Estamos perdendo o controle sobre os acampados’’, disse Nair Guedes, 20, da coordenação estadual do MST.

mockup