Curitiba- Promotoria e defesa fecharam ontem um acordo para a leitura de 400 páginas do processo que acusa os pais-de-santo Osvaldo Marcineiro e Vicente de Paula Ferreira e o ajudante de terreiro Davi dos Santos Soares de assassinar o menino Evandro Ramos Caetano. O crime aconteceu no dia 7 de abril de 1992 em Guaratuba (PR), num suposto ritual de magia negra. O julgamento começou anteontem.
O processo tem mais de 10 mil páginas e várias fotografias e vídeos. Ontem, as páginas escolhidas foram lidas e intercaladas com imagens e fotografias que constam no processo. As 15 testemunhas dez da defesa e cinco do Ministério Público (MP) estadual devem começar a depor hoje à tarde.
''Resolvemos reduzir o número de páginas lidas para evitar o desgaste dos jurados. Chegamos à conclusão que o tempo desse julgamento deve ser abreviado'', disse o promotor Paulo Sérgio de Lima, que participa da acusação dos três denunciados e acredita na condenação por homicídio e ocultação de cadáver.
Os três réus já foram ouvidos na segunda-feira, primeiro dia de julgamento. Eles negaram a autoria do crime e disseram que foram obrigados a confessar sob tortura. ''Vamos provar isso no transcorrer do júri'', declarou um dos advogado dos réus, Álvaro Borges Júnior.
A defesa pretende ainda questionar a identidade do corpo encontrado em Guaratuba, completamente desfigurado. Exames de DNA e da arcada dentária comprovaram que o corpo era mesmo de Evandro. Entretanto, a defesa argumenta que o processo foi duvidoso, já que a Polícia Civil do Paraná acusada de ter auxiliado na tortura dos réus foi quem solicitou os laudos. ''Esses laudos serão objeto de discussão'', antecipou Borges.
''Os laudos reafirmam 99,997% de possibilidades do corpo ser de Evandro. Não há dúvidas'', afirmou o promotor Paulo de Lima.
O argumento de que o corpo poderia não ser de Evandro foi o motivo da absolvição de Beatriz e Celina Abagge, acusadas de serem as mandantes do crime, no maior julgamento da história do Brasil e que durou 34 dias. A absolvição em 1998 foi questionada judicialmente e novo julgamento poderá ser marcado ainda para este ano.

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