Acordo descentraliza reforma agrária
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 31 de maio de 2000
Agência Estado De São Paulo 
Depois de assinar três convênios com o governo de São Paulo para agilizar a reforma agrária no Estado, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, disse que o próximo passo é se reunir com governadores das regiões Nordeste, Sul e Centro-Oeste para tratar do projeto de descentralização. A descentralização da reforma agrária já é um fato, ressaltou. Segundo ele, o modelo centralizado era uma herança do regime militar, que precisava ser enterrada. Não faz sentido a União querer fazer sozinha a reforma agrária em um País com 850 milhões de hectares de terra, frisou. -
Os acordos assinados ontem pela manhã com o governador Mário Covas (PSDB), no Palácio dos Bandeirantes, delega ao Estado poderes antes exclusivos da União. O governo estadual fica autorizado a vistoriar e notificar casos de terras improdutivas, poderá fazer acordos judiciais com ocupantes de terras devolutas ou em processo de discriminação e ficará responsável pela assistência técnica e pela divisão dos assentamentos em lotes, de acordo com o potencial produtivo de cada área.
São Paulo é primeiro Estado a iniciar o processo de descentralização da reforma agrária, anunciado pelo governo federal no início de maio. É um reconhecimento pelo governo federal do excelente trabalho realizado por São Paulo nesta área, destacou. Entre 1995 e 1999, o governo Covas assentou 4.070 famílias.
Com os convênios, a meta em São Paulo é assentar 8 mil famílias de trabalhadores rurais até 2002. Para isso, o governo federal vai repassar R$ 23 milhões ao Estado, que investirá outros R$ 20 milhões em programas destinados ao desenvolvimento sócio-econômico dos assentados.
Hoje um integrante do ministério se reúne com representantes de todos os governos da região Nordeste para discutir a descentralização. Na sexta-feira, será a vez dos governos da região Sul e, no dia 19 de junho, dos governos da região Centro-Oeste. Depois, disso, o ministro deverá conversar com cada governador.
A verba para que os Estados dividam com a União a responsabilidade pela reforma agrária sairá do Imposto Territorial Rural (ITR), do Banco da Terra e do Programa Nacional da Agricultura Familiar (Pronaf).
Para o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) a descentralização da reforma agrária é uma forma de o governo fazer um jogo de empurra do problema com os Estados. Gilmar Mauro, integrante da direção nacional do MST, afirmou que o governo não tem política de reforma agrária, mas sim de assentamentos. Tem que distribuir a renda e incentivar o pequeno agricultor a produzir, ressaltou.
Segundo ele, 8 milhões de pessoas deixarão o campo rumo às grandes cidades, caso o governo não mude a sua política agrária. Raul Jungmann ironizou a crítica. No dia em que o MST for a favor de alguma ação do governo federal, eu realmente vou tomar um grande susto, disse. Para ele, a posição do movimento é sempre a do juízo final. Fica difícil saber o que é propaganda do MST e o que é crítica real, declarou.


