Acordo dá prazo para sem-terra deixar fazenda em Piracicaba
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domingo, 08 de agosto de 1999
Por José Maria Tomazela 
Piracicaba, SP, 09 (AE) - As 1,2 mil famílias de sem-terra do Acampamento Nova Canudos conseguiram um prazo de cinco dias para deixar a Fazenda Maria ¶ngela, em Piracicaba, interior de São Paulo, invadida na última quinta-feira. Elas permanecem na área pelo menos até sexta-feira, quando as lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) terão uma audiência com o secretário de Estado da Justiça, Belizário dos Santos Júnior, para discutir a situação do acampamento.
O acordo, intermediado pelo prefeito de Piracicaba, Humberto de Campos (PSDB), foi aceito a contragosto pelo fazendeiro Joseph Moutran, dono das terras. "Não nos restou alternativa, pois não adianta tocá-los de lá sem ter um local para levar as famílias", disse André Moutran, filho do proprietário.
Os sem-terra ocupam também uma faixa de domínio do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) nas margens da Rodovia Samuel de Castro Neves (SP-147). O órgão deve dar entrada amanhã com um pedido na Justiça de reintegração de posse. Se a liminar for concedida, o prefeito negociará para que o prazo acertado hoje seja respeitado.
O comandante do 10º Batalhão de Policiamento Militar, tenente-coronel Artur Roberto de Amaral Brisola, que participou do encontro, disse que a operação de despejo está sendo preparada. Ele orientou as partes a informarem a Justiça sobre o prazo. O coordenador estadual do MST, João Paulo Rodrigues, quer que o Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) apresse a discriminação das terras devolutas existentes no município de Anhembi, onde os sem-terra estavam acampados na semana passada.
Segundo Rodrigues, o governador Mário Covas não cumpriu a promessa de encontrar uma área para abrigar as famílias. "Estamos nos sentindo ludibriados", disse. Hoje, o clima ficou tenso no acampamento em razão da morte de um sem-terra de 38 anos, após um ataque epilético. O líder afirmou que essa morte poderia ter sido evitada se as famílias ainda estivessem em Anhembi, de onde foram despejadas na última quinta-feira. "Lá, bem ou mal, tínhamos alguma assistência médica".
Em razão da morte do companheiro, os acampados ameaçaram bloquear a SP-147, mas desistiram do plano para não atrapalhar as negociações com o prefeito. Gabriel Moutran disse que não haverá concessão de novo prazo para o despejo da fazenda, de criação de gado de leite. "Estamos tendo prejuízo por não poder usar todo o pasto nesse período de inverno", alegou.


