Acordo dá prazo para sem-terra deixar área
Agência Estado
De Piracicaba
As 1,2 mil famílias de sem-terra do Acampamento Nova Canudos conseguiram um prazo de cinco dias para deixar a Fazenda Maria Ângela, em Piracicaba, interior de São Paulo, invadida na última quinta-feira. Elas permanecem na área pelo menos até sexta-feira, quando as lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) terão uma audiência com o secretário de Estado da Justiça, Belizário dos Santos Júnior, para discutir a situação do acampamento.
O acordo, intermediado pelo prefeito de Piracicaba, Humberto de Campos (PSDB), foi aceito a contragosto pelo fazendeiro Joseph Moutran, dono das terras. Não nos restou alternativa, pois não adianta tocá-los de lá sem ter um local para levar as famílias, disse André Moutran, filho do proprietário.
Os sem-terra ocupam também uma faixa de domínio do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) nas margens da Rodovia Samuel de Castro Neves (SP-147). O órgão deve dar entrada amanhã com um pedido na Justiça de reintegração de posse. Se a liminar for concedida, o prefeito negociará para que o prazo acertado ontem seja respeitado.
O comandante do 10º Batalhão de Policiamento Militar, tenente-coronel Artur Roberto de Amaral Brisola, que participou do encontro, disse que a operação de despejo está sendo preparada. Ele orientou as partes a informar a Justiça sobre o prazo. O coordenador estadual do MST, João Paulo Rodrigues, quer que o Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) apresse a discriminação das terras devolutas existentes no município de Anhembi, onde os sem-terra estavam acampados na semana passada.





