Anhembi, SP, 30 (AE) - As 1.200 famílias de sem-terra que desde o último dia 21 ocupam a Fazenda Boa Esperança, em Anhembi, a 235 quilômetros de São Paulo, conseguiram mais 15 dias de prazo para deixar a área pacificamente. O acordo foi acertado hoje (30), em encontro entre as lideranças do acampamento, o comandante do 22º Batalhão da Polícia Militar de Botucatu, major João Francisco Antunes, e o proprietário da fazenda, Osvaldo Calcidoni.
O prazo vence no dia 14 de julho. Caso até esta data os sem-terra não tiverem desocupado a fazenda, a PM usará suas tropas para fazer o despejo. Os sem-terra comprometeram-se também a proibir a entrada de novas famílias na fazenda e evitar danos à propriedade.
De acordo com Calcidoni, além de terem destruído cerca de 400 metros de cerca, os invasores cortaram centenas de coqueiros de uma mata para extrair palmitos. Os sem-terra foram representados no encontro pelos líderes João Paulo Rodrigues, Manoel de Oliveira e Antônio Guimarães. O prefeito de Anhembi, Geraldo Conceição Cunha (PSDB) e vários fazendeiros da cidade participaram da reunião.
O encontro começou tenso, pois os líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) condicionaram sua saída à destinação de terras devolutas da região para assentamento. Advertidos pelo major de que seriam despejados à força, caso continuassem na área, acabaram pedindo um prazo de 20 dias para a desocupação. O proprietário concordava com apenas 10 dias. Prevaleceu o prazo até o dia 14. Os termos do acordo serão protocolados amanhã (01) na ação de reintegração de posse que tramita no Fórum de Conchas. A juíza da 1ª Vara, Lígia Cristina Berardi Possas, que deu a liminar em favor do fazendeiro, terá que aceitar o acordo para que ele seja válido.

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