São Paulo, 21 (AE) - O PFL estadual mudou de posição nos últimos dias e deu apoio decisivo à união partidária - PMDB, PTB e PL - que evitou o início do processo de impeachment e a prorrogação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais, o que acabou ajudando indiretamente o ex-prefeito Paulo Maluf (PPB).
O acordo foi fechado em reunião na noite de sábado, no apartamento do prefeito Celso Pitta (sem partido). Ele conversou demoradamente com o presidente estadual do PFL, Cláudio Lembo, o deputado federal Gilberto Kassab (PFL) e o secretário do Governo Municipal, Carlos Augusto Meinberg.No encontro, foi acertado que Pitta deveria marcar definitivamente sua independência política. Kassab confirmou a "visita", mas disse que o tema foi reparar mal-entendidos.
Nos últimos dias os comentários eram que o ex-ministro e deputado federal Luiz Carlos Santos (PFL) estaria comandando a articulação para afastar Pitta do cargo. Santos negou qualquer participação. "Se houve ajuda do partido, foi continuar mantendo a nossa posição de distanciamento", afirmou Kassab. Meinberg também negou a existência de qualquer acordo, mas vereadores do PFL disseram que houve uma inversão na posição do partido.
O vereador Toninho Paiva, por exemplo, contou que horas antes da sessão de ontem (20) foi procurado por telefone por Kassab para rever a sua posição. "Tiraram a escada, a parede e eu fiquei sozinho, com a brocha na mão", disse Paiva. Com a vereadora Maria Helena (PL), Paiva havia garantido a derrota do governo na Comissão Especial que analisou o pedido de impeachment.
Confiança - O deputado federal Marcos Cintra (PL) disse que, apesar da divisão da bancada municipal, decidiu nos últimos dias dar um voto de confiança a Pitta. Cintra disse que não há combinação nenhuma para que o partido participe do governo, mas não descarta a possibilidade de um eventual convite."Não tem nada combinado, mas imagino que poderia até haver um convite", disse. "Sempre apoiamos o governo, independentemente de participação direta."
Meinberg negou que tenham sido negociados cargos, mas admitiu que a tendência é caminhar para uma espécie de governo de coalizão. Pitta já afirmou que fará uma ampla reforma administrativa nos próximos meses, processo que será concluído com a filiação partidária.
Com o fim da ameaça do impeachment e da CPI dos Fiscais, o presidente nacional do PPB e ex-prefeito de São Paulo, Paulo Maluf, foi indiretamente beneficiado. Seus principais assessores políticos já haviam concluído que o eventual afastamento de Pitta seria prejudicial para o ex-prefeito. Eles entendem que a permanência de seu afilhado político é necessária, pois permitirá uma comparação entre as duas administrações, caso Maluf decida disputar as eleições do ano 2000.
A não-prorrogação da CPI dos Fiscais também ajudou o ex-prefeito, porque, com Pitta, ele era o alvo principal das investigações.

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