Acordo com o FMI pode ser anunciado ainda esta semana
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domingo, 28 de fevereiro de 1999
Por Adriana Fernandes e Beatriz Abreu 
Brasília, 01 (AE) - Os termos do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) deverão ser divulgados possivelmente ainda esta semana. "O rascunho está pronto. Só falta passar a limpo", comentou uma fonte da área econômica do governo. Segundo esta fonte, os principais pontos do acordo já estão definidos.
Tanto o governo brasileiro quanto o Fundo Monetário Internacional não querem fixar uma data para a divulgação da conclusão das negociações para não criar expectativas no mercado. "O importante é concluir as negociações. Não queremos nos comprometer com uma data", insistiu um dos assessores que acompanha as negociações.
A idéia é que as linhas gerais do acordo, com informações concretas sobre o superávit primário dos três anos do programa, por exemplo, sejam divulgadas por meio de um comunicado conjunto, como ocorreu na negociação do ano passado e
mais recentemente, com a visita do sub-diretor gerente do FMI, Stanley Fischer.
A nova carta de intenções e o novo texto do Memorando Técnico de Entendimento não necessariamente serão divulgados no mesmo dia do anúncio do fechamento das negociações. Até porque o acordo será submetido, ainda, ao board do FMI, que reúne os 24 representantes de países junto ao Fundo. Segundo fontes do próprio FMI, não há possibilidade de os termos do acordo serem apresentados na reunião do board esta semana. "O acordo é de nível técnico", disse uma fonte do FMI, lembrando que a discussão pelo board somente deverá ocorrer no prazo de duas ou três semanas.
Definidos os termos do acordo com o FMI, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, deverá iniciar uma viagem internacional para fazer um "road show" nos principais centros financeiros europeus e norte-americanos. O Ministério da Fazenda não divulga a data da viagem, mas o ministro já foi convidado para participar, no próximo dia 15 de março, da reunião anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em Paris. A viagem aos principais centros financeiros - Londres, Paris, Frankfurt, Japão, Nova Iorque - está sendo analisada pelo governo como alternativa à divulgação do acordo firmado com o FMI. Ao mesmo tempo, o objetivo desta viagem seria estimular os investidores internacionais a voltarem suas aplicações para a economia brasileira e, também, consultar sobre a oportunidade do governo voltar a emitir títulos no mercado internacional.
Depois da crise do final do ano, os recursos externos praticamente estão paralizados e tampouco financiamentos ao comércio exterior estão fluindo normalmente para o Brasil. Existe a possibilidade de o roteiro da viagem ser dividido entre o ministro Pedro Malan e o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, que já estaria devidamente empossado no cargo.


