Acordo com Mercosul será mais restrito do que com México
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 20 de março de 2000
Por Vladimir Goitia 
São Paulo, 21 (AE) - A União Européia vai negociar com o Mercosul uma área de livre comércio de forma diferente à concretizada com o México e com a áfrica do Sul. Isto é, as futuras e eventuais concessões comerciais que os europeus poderão fazer ao bloco regional serão bem menores e muito mais restritas das que fazem parte do acordo de livre comércio aprovado ontem em Bruxelas pelos ministros de Relações Exteriores da União Européia e do México.Em rápida entrevista, ontem, o comissário (ministro) europeu de Comércio, Pascal Lamy, disse que os países do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) têm acordos bem menos profundos do que os mexicanos com os Estados Unidos e com o Canadá no Nafta (North America Free Trade Agreement).
Lamy citou, por exemplo, a questão das regras de origem para os produtos, item onde o Mercosul avançou muito pouco. "O acordo do Nafta para os mexicanos é muito mais ambicioso do que o do Mercosul", afirmou Lamy. O acordo com o México, que será assinado na quinta-feira em Lisboa, prevê que 47% das exportações européias de produtos industrializados ficarão isentos de qualquer imposto de importação no mercado mexicano, e
no ano 2007, será a totalidade dos produtos que entrará nessas condições. Lamy disse ainda que produtos agrícolas mais sensíveis (para os europeus) ficaram de fora do acordo com o México, entre eles as produções de flores, uvas e de sucos de uvas.
Lamy foi taxativo ainda ao afirmar que a União Européia não negociará a questão agrícola nas coindições que o Grupo de Cairn, do qual faz parte o Brasil, quer. "Não vamos aceitar tratar os produtos agrícolas da mesma forma como são tratados os alimentos industrializados. Se for nessas condições, a resposta é não. Não haverá negociação alguma", disse Lamy.


