Buenos Aires, 24 (AE) - O acordo da Argentina com o Fundo Monetário Internacional (FMI) está emperrado. O motivo: a equipe econômica argentina resiste à idéia de realizar o extenso ajuste fiscal às províncias exigido pelo Fundo.
Segundo o secretário de Fazenda, Mario Vicens, a Constituição impede que o governo federal obrigue as províncias a aplicar um ajuste para reduzir o déficit fiscal de cada uma. Embora grande parte do acordo esteja acertado desde a semana passada, como a reforma trabalhista e o crescimento de 3,5% para a economia este ano, a questão do déficit provincial está sendo encarado como fundamental pelo órgão internacional.
Segundo o FMI, o governo do presidente Fernando de la Rúa precisará nacionalizar as políticas de ajuste: esta seria a melhor forma de garantir a permanência da conversibilidade econômica. Ao longo da semana passada, em uma rara declaração direta à imprensa, a chefe da missão do órgão internacional, Teresa Ter Minassian, declarou que "seria ruim sair da conversibilidade".
Mas nas reuniões com a equipe econômica, ela lhes joga na cara que a competitividade do país está sendo complicada pela paridade entre o peso e o dólar. Como exemplo do que deveria ser feito, e para a irritação dos argentinos, cita a desvalorização do real e a decisão do governo FHC em colocar metas de déficit fiscal para os estados da União. Como último recurso de pressão para que os argentinos aceitem o ajuste provincial, Ter Minassian ameaçou retornar aos EUA nesta quarta-feira mesmo que por causa disso o acordo não fique pronto.
O FMI pretende que o governo federal se comprometa à uma redução anual do déficit provincial, de forma a eliminá-lo completamente no ano 2003.
O projeto do FMI é que neste ano o déficit seja reduzido em US$ 1,03 bilhão, passando de US$ 3,2 bilhões para US$ 2,37 bilhões. Mas, no governo federal temem que obrigar as províncias a esse ajuste coloque a Argentina em um caminho de ingovernabilidade, já que 85% do país está controlado por governadores do Partido Justicialista (também conhecido como "Peronista"), da oposição. O próprio Fernando de Santibañes, chefe da Side, o serviço secreto, declarou que a situação econômica nas províncias é "ruim". Várias delas possuem dívidas equivalentes a 130% de suas receitas.
A intenção do governo é que o presidente Fernando De la Rúa possa anunciar o acordo com o FMI neste sábado durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, Suíça, onde se reunirá com o vice-diretor do Fundo, Stanley Fischer.

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