Acordo com bancos norteamericanos não é garantia, dizem analistas
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 11 de março de 1999
Por Gisele Regatão (especial para a AE) 
Nova York, 12 (AE) - O mercado norteamericano ficou, sem dúvida, bem mais otimista sobre a recuperação da economia brasileira depois da visita a Nova York ontem (11) do presidente do Banco Central, Armínio Fraga, e do secretário de Política Econômica, Amaury Bier. Mas não há o mesmo concenso no que se refere ao acordo firmado com os 11 bancos dos Estados Unidos e Canadá de manutenção, até 31 de agosto, das linhas de crédito comerciais e interbancárias aos mesmo níveis de 28 de fevereiro.
"Foi um acordo de cavalheiros", afirma o diretor de pesquisa econômica para a América Latina do Warburg Dillon Read, Michael Gavin. "Ainda existe perigo e não há uma garantia firme que o compromisso seja cumprido."
Gavin, que participou ontem da reunião com a equipe econômica brasileira na sede do Merrill Lynch, acredita que a certeza do "folego" dado ao Brasil pelos bancos ainda depende do cumprimento das metas do acordo firmado com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
O fato do índice de inflação INPC, medido pelo IBGE, ter ficado em 1,29% em fevereiro é um bom sinal, na opinião do diretor do Warburg Dillon Read. Com a desvalorização anual do real estimada em 70%, isso representaria uma taxa anualizada de inflação de 16,63%, ligeiramente menor que os 16,8% perseguidos pelo governo. "A dúvida é se o Brasil conseguirá conter a alta da inflação não só nos próximos meses, mas no próximo ano", diz Gavin.
Também presente na reunião na sede do Merrill Lynch ontem, o economista para mercados emergentes do Nations Bank Securities, David Roberts, avalia como um passo significativo o acordo com os bancos americanos e canadenses. Mas, alerta ele: " O maior desafio são os bancos europeus, responsáveis por dois terços do total da exposição dos bancos estrangeiros ao Brasil."


