São Paulo, 4 (AE)- O acordo automotivo entre o Brasil e o México, que vem sendo negociado desde o início deste ano, está emperrado no índice de conteúdo nacional (componentes) dos veículos fabricados nos dois países. De acordo com uma alta fonte do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, o governo está estudando ainda uma fórmula que evite algum tipo de concorrência "desleal" por parte das montadoras mexicanas, prejudicando o setor automotivo do País. Um desses riscos seria, por exemplo, a possibilidade de surgir uma espécie de triangulação para a entrada de veículos norte-americanos com maiores vantagens ao mercado nacional.
Se o índice de conteúdo nacional for muito reduzido, os EUA poderiam, por exemplo, ampliar a fabricação de seus carros no México para, depois, exportá-los ao Brasil. A expectativa da Anfavea é de que, até o dia 17, quando será realizada uma nova rodada de negociações na Cidade do México, o impasse em torno do índice de conteúdo seja resolvido. "Esperamos fechar o acordo já no dia 17", afirmou o diretor de relações institucionais da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Ademar Cantero. No acordo com a Argentina, o índice de conteúdo regional foi fixado em 60%, sendo que metade desses componentes terá de ser fabricado exclusivamente no país de origem do carro.
Com o México, o índice pode ficar entre 50% e 60%. O acordo bilateral terá a duração de seis meses, prorrogáveis por mais seis. Durante o período, a alíquota do imposto de importação entre os dois países deve ser de 8% para automóveis e veículos comerciais leves, podendo ser estendida a caminhões e ônibus numa segunda etapa. Atualmente, os carros mexicanos que entram no País pagam imposto de 35%. O governo do México, que antes cobrava alíquota de 8%, retomou em janeiro a taxa de 23% - aplicada até 1998. A quota de importações ficará entre 40 mil e 50 mil unidades, distribuídas de acordo com a produção de cada montadora. No ano passado, as exportações brasileiras para o mercado mexicano somaram US$ 250 milhões e as importações foram de US$ 100 milhões.
Concorrência Argentina - As montadoras brasileiras também terão de concorrer com os carros fabricados na Argentina. A Adefa (Associação de Fabricantes Automotores de Argentina) começou a negociar com os mexicanos um acordo similar ao que vem sendo discutido com o Brasil. O acordo entre a Argentina e o México prevê um intercâmbio de 60 mil veículos nos seis primeiros meses de entrada em vigor do documento. Já o índice de conteúdo nacional pode ficar em 35%, bem abaixo do que o Brasil e o México estão negociando.

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