Abuja, Nigéria, 29 (AE-AP) - Líderes muçulmanos do norte da Nigéria concordaram hoje (29) em voltar atrás em sua proposta de aplicar a lei islâmica (sharia), o que representa uma tentativa de cessar a violência religiosa que tomou o país nas últimas semanas.
Segundo o vice-presidente nigeriano, Atiku Abubakar, o acordo informal, conseguido depois de horas de discussões em Abuja, no centro do país, prevê que os Estados que já adotam a sharia não poderão aplicá-la. E aqueles que pretendem adotá-la não poderão fazê-lo de agora em diante.
"Para restaurar a normalidade e criar confiança, concordamos que com relação à sharia todos deverão retornar ao estado anterior de sua aplicação", disse Abubakar.
De acordo com um dos líderes da região norte do país, que pediu anonimato, o acordo só foi atingido depois de um "turbulenta discussão". Entretanto, o governador do único Estado onde a sharia já está sendo adotada afirmou que respeitará o acordo. "Quando chegar em casa terei uma reunião com líderes muçulmanos e cristãos...para fazê-los entender que precisamos de paz", disse Ahmed Sani, governador do estado nortista de Zamfara.
O encontro de hoje, do qual participaram altos funcionários do governo e os governadores dos 36 Estados nigerianos, ocorreu um dia depois da morte de pelo menos 30 pessoas na cidade de Aba. A matança foi uma vingança pelos conflitos sangrentos da semana passada na cidade de Kaduna, iniciado durante uma manifestação de cristãos contra a introdução da sharia.
A violência em Aba, a cerca de 600 quilômetros a leste de Lagos, foi controlada ontem à noite por um grande número de soldados, mas a cidade continua tensa, segundo residentes.
A Nigéria é dividida entre cristãos (sul) e muçulmanos (norte). Os nortistas dominam o Exército, que desempenhou grande força durante os 15 anos de ditadura militar, terminados no ano passado com a eleição do presidente Olusegun Obasanjo.
No mês passado, a sharia entrou em efeito no Estado de Zamfara. Dois Estados no norte do país aprovaram a sharia como lei na semana passada. Outros - como Kaduna, que tem cerca de 40% de cristãos - estão considerando adotar a mesma lei.