Acordo adia possível depoimento de Malan à CPI
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segunda-feira, 10 de maio de 1999
Por Claudia Carneiro 
Brasília, 11 (AE) - Um acordo entre governistas e oposição suspendeu uma possível convocação do ministro da Fazenda, Pedro Malan, pela CPI do Sistema Financeiro para falar sobre a operação de ajuda do Banco Central aos Bancos Marka e FonteCindam. O acerto, selado em reunião secreta da comissão, envolveu o PMDB, o PFL, e o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), provocando o adiamento da discussão por prazo inderteminado.
Na mesma reunião, os senadores aprovaram a convocação do secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, para ir à CPI na quinta-feira (20) da próxima semana, às 10h, quando será questionado sobre a denúncia de sonegação de impostos por parte de bancos nacionais e estrangeiros. Os grandes lucros obtidos por instituições bancárias e a evasão fiscal nesse setor são os próximos capítulos da investigação da CPI do Sistema Financeiro.
As articulações da base do governo para definir uma ação para enfrentar o requerimento do senador Eduardo Suplicy (PT-SP) começaram cedo. Ele pedia o comparecimento do ministro da Fazenda à comissão a fim de explicar todos os pontos que são alvos de investigação da CPI, inclusive o caso Marka-FonteCindam sobre o qual Malan nega ter tomado conhecimento. Há duas semanas
o senador Antonio Carlos Magalhães cobrou, por mais de uma vez, a presença do ministro Malan para dar explicações.
As pressões para que Pedro Malan esclareça as dúvidas em torno do caso Marka-FonteCindam começaram com a CPI e aumentaram depois dos depoimentos dos funcionários e diretores do Banco Central à Polícia Federal, que revelaram a presença de Malan no BC no dia 15, exatamente no mesmo andar do prédio da instituição onde estava sendo concluída a operação que possibilitou a venda de dólares abaixo do preço de mercado aos dois bancos.
O líder do PSDB, senador Sérgio Machado (CE), convocou uma reunião, hoje de manhã, com o líder do PFL, senador Hugo Napoleão (PI), e os representantes dos dois partidos na CPI do Sistema Financeiro.
Participaram da reunião os senadores Eduardo Siqueira Campos (PFL-TO), Romeu Tuma (PFL-SP), Lúcio Alcântara (PSDB-CE), Romero Jucá (PSDB-RR), e o presidente da comissão, José Roberto Arruda (PSDB-DF).
A primeira tarefa dos senadores foi passar a limpo os depoimentos dos funcionários e diretores do BC. Os senadores queriam saber exatamente o que disseram os depoentes à PF. Pelo menos três deles declararam ter visto Malan no prédio do BC, no dia 15. O senador Romero Jucá aproveitou para formular suas perguntas que faria mais tarde ao ex-diretor de Assuntos Internacionais do BC Demosthenes Madureira, no depoimento iniciado à noite.
O PSDB defendeu a votação do requerimento para derrubá-lo e pôr um ponto final no assunto. Mas o senador Eduardo Suplicy iniciou uma contra-ofensiva. Caso seu requerimento fosse rejeitado, isto inviabilizaria uma nova discussão sobre a ida de Pedro Malan à CPI. "Quero que o requerimento seja apreciado como os demais, quando se chegar a um consenso", disse Suplicy no plenário, anunciando o que já havia negociado com o relator da CPI, senador João Alberto (PMDB-MA).
O relator propôs a Suplicy que seu pedido ficasse aguardando a CPI chegar a um consenso sobre o assunto. Suplicy levou a proposta aos senadores Jáder Barbalho, Hugo Napoleão e Antônio Carlos, que concordaram com o adiamento da discussão. Somente o senador Sérgio Machado fazia questão de que o requerimento fosse votado, já que apostava em 8 votos, dos 11 votos da comissão, em favor do governo.
O presidente da CPI insistiu que colocaria o requerimento em votação: "Não vou ficar como o fazedor de pizza, quem quiser algo diferente, que assuma sua posição na reunião", afirmou Arruda. Foi o próprio Suplicy, durante a reunião, quem pediu para que adiassem o debate sobre a ida de Malan, já que não havia consenso. "Não vou retirar de pauta o requerimento porque tenho a convicção de que o ministro Malan tem de vir à CPI", explicara antes Eduardo Suplicy.


