Londrina - "Eles chegaram me xingando, dizendo que iam fazer eu virar homem e me dando socos. Caí, desmaiei e fui acordar só 18 dias depois na UTI do hospital, com a cabeça raspada, sem conseguir falar e sem o movimento das pernas". O relato do atentado homofóbico cometido por três homens, sofrido no final de 2012, é da travesti Luanny Vasconcelos, de 23 anos.
O crime foi em um sábado à noite na Avenida Tiradentes, na zona oeste de Londrina, onde Luanny trabalhava. "Eu levei muitos chutes na cabeça, tive que passar por uma cirurgia e por isso fiquei dois meses internada e outros seis andando de cadeira de roda. Até hoje sinto dor em uma das pernas. Eu fiquei muito horrorizada e por isso abandonei o trabalho na rua. Não aguentaria passar novamente por uma nova agressão", contou.
O medo de represália ou ameaça impediram Luanny de denunciar o caso à polícia e, com isso, os agressores ficaram impunes. "A sociedade não nos aceita e por isso há um descaso. Falta interesse em resolver e ir atrás para saber quem fez", relatou a travesti.
O espancamento serviu de reflexão para que Luanny voltasse a estudar, fazer cursos e tentar se inserir novamente na sociedade. Hoje ela trabalha como secretária da Elity Trans, um grupo londrinense que trabalha na defesa da diversidade. "É uma forma de auxiliar outras pessoas que têm as mesmas dificuldades que eu tive e de voltar ao convívio em sociedade." (L.F.C.)

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