OPINIÃO
Acorda, Magistratura


Fernando Vidal

De longe a idéia, em sequer pensar que a magistratura dorme. Mas sob certo aspecto os juízes se acham tomados, desde muito tempo, de um torpor próprio da inibição de quem prefere não assumir posições e deixar que os demais segmentos da sociedade se encarreguem de defender idéias, aparecer em público, formular sugestões, opor-se à políticos mal informados ou mal intencionados.
Creio ser agora, o momento propício para a magistratura sair da toca e tornar público seu inconformismo com as descabidas críticas que vem recebendo de setores que sequer conhecem o funcionamento intrincado e moroso da máquina judiciária. Moroso, por conta e em nome dos legisladores que não fazem leis que simplifiquem o processo, ao contrário, pouco interesse demonstram na celeridade processual. Intrincado, porque nos meios políticos o Poder Judiciário tornou-se alvo fácil (porque não reage) de todo o tipo de assaque e manobras com o evidente intuito de desprestigiá-lo, palanque fácil para congressistas que tem em vista a promoção pessoal.
Agora é a hora de mostrar à sociedade que o Poder Judiciário, em especial o do Paraná, não mede esforços para oferecer a prestação jurisdicional rápida e justa, apesar dos inúmeros recursos, vez por outra meramente, protelatórios, que a legislação processual oportuniza.
O Tribunal de Alçada do Paraná julgou no primeiro semestre deste ano perto de 9.000 processos em uma gama de competência processual que atinge a cifra de 68% do universo dos litígios possíveis, tendo em vista a respectiva revisão constitucional.
É preciso que a sociedade tome conhecimento deste esforço, para que saiba compreender e entender o trabalho do magistrado, senão ficará sempre ouvindo a palavra do mal intencionado, cujo papel é mostrar tão somente o lado negativo(que todas as profissões possuem porque tem maus profissionais) da magistratura.
Não aceitar demonstrações de ofensa à dignidade do Poder Judiciário, como o túmulo feito por desocupados em frente ao Palácio da Justiça, rebater publicamente as aleivosias sacadas desmesuradamente à pessoa do Juiz, não permitir que a magistratura torne-se bode espiatório das mazelas porque passam o país, é obrigação de todo aquele que veste a toga e guarnece a última trincheira que abriga todas as garantias constitucionais.
Fernando Vidal Pereira de Oliveira - Juiz do Tribunal de Alçada

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