Acontecimentos que levaram ao movimento de 64
Rio, 30 - Esta é a cronologia dos fatos que culminaram com o golpe militar de 1964: 13/3/64 - Com a proteção de tropas de nove guarnições das três Armas e tanques do Batalhão de Infantaria Blindada, o presidente João Goulart vai ao comício da Central do Brasil, no Rio, onde anuncia um pacote de reformas que inclui uma nova lei de remessa de lucros de empresas estrangeiras, reforma agrária e a extensão do voto aos sargentos das Forças Armadas. 19/3 - Realiza-se em São Paulo a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, promovida por integrantes da Igreja Católica e da classe média paulistas, em reação às propostas de Jango. Segundo a imprensa, mais de 1 milhão de pessoas participam do ato. 20/3 - Leonel Brizola, cunhado de Jango e então deputado federal pela Guanabara, e alguns colaboradores analisam a situação e chegam à conclusão de que pode haver um golpe e que ele partiria do próprio presidente. 25/3 - Desmoralizado pela tolerância com que o governo tratou a Revolta dos Marinheiros, o ministro da Marinha, Sílvio Mota, se demite. Jango coloca em seu lugar um almirante da reserva, Paulo Mário da Cunha Rodrigues, simpatizante do PC. 26/3 - O ministro do Trabalho, Amauri Silva, representando o presidente, consegue um acordo com os revoltosos, que são presos
sendo, contudo, libertados algumas horas depois. Essa anistia, dada por determinação de Jango, oficializa a quebra de hierarquia militar, agravando a crise e empurrando as últimas parcelas de oficiais legalistas para o complô revolucionário. 27/3 - Luís Carlos Prestes diz no aniversário do Partido Comunista Brasileiro que, se houver uma sublevação militar, "os golpistas teriam as cabeças cortadas" 28/3 - O governador de Minas Gerais, Magalhães Pinto, reúne-se com gerenais de Juiz de Fora e diz que vai fazer um manifesto pedindo a deposição de Jango. 30/3 - O general Carlos Luís Guedes, comandante das infantarias de Minas, decide se rebelar, deflagrando as operações Silêncio e Gaiola. Todas as fronteiras do Estado são fechadas pela Polícia Militar. 31/3 - Entre 4 e 5 horas, o general Olímpio Mourão Filho, comandante da Região Militar de Juiz de Fora, dá início, em Minas, ao movimento militar que destituiria Jango. De Belo Horizonte e São João del Rei, tropas do 12º e 11º Regimentos de Infantaria descolam-se para Juiz de Fora. Na tarde desse dia, tanques se deslocam rumo ao Rio de Janeiro. 1/3 - Na manhã, o presidente voa para Brasília, onde esperava oferecer resistência, mas a situação da capital também não lhe é favorável. Os efetivos do 1º Exército aliam-se aos revoltosos. À noite, Jango viaja para Porto Alegre e o presidente do Senado, Auro de Moura Andrade, declara vaga a presidência da República. 2/3 - À tarde, as tropas comandadas pelo general Mourão Filho chegam à Guanabara. Deposto, Jango exila-se no Uruguai, onde veio a falecer em 6 de dezembro de 1976.





