Acompanhamento de diplomados
Arildo França, do Odin, explica que outro desafio é estimular a diversificação das graduações entre a população indígena. No início, a grande demanda era na Pedagogia. A maioria buscava se tornar professor para dar aulas nas suas comunidades. Agora, temos pedagogos sobrando. No projeto Rede de Saberes (que é custeado pela Fundação Ford e dá suporte a estudantes indígenas nas universidades do Mato Grosso do Sul), estamos orientando os jovens para que, antes de decidirem que curso querem fazer, vejam em qual área há demanda na comunidade deles, diz França.
O coordenador explica que mesmo em outras áreas, como Enfermagem e Direito, o foco dos estudantes é buscar qualificação para prestar serviços relacionados às suas comunidades ou à causa indígena em geral. Dessa forma, existe também a preocupação de orientar os acadêmicos indígenas para outras possibilidades.
Aconselhamos para que não se direcionem apenas para a causa indígena, mas para o mercado de trabalho. Eles podem abrir portas para outros indígenas no futuro, afirma França.
Oséas de Oliveira, presidente da Cuia, admite que há necessidade de um acompanhamento mais próximo dos indígenas já formados (os chamados egressos) - inclusive porque já começa a surgir uma demanda por pós-graduação nessas comunidades.
Precisamos de informações mais seguras dos caminhos que esses egressos tomam após a formatura. Sabemos que muitos voltam para suas comunidades, mas outros estão procurando posições no mercado de trabalho, explica Oliveira. Segundo o presidente da Cuia, a situação dos egressos será o tema do próximo Encontro de Educação Superior Indígena do Paraná, que será realizado em Guarapuava (Região Central) em setembro. A ideia é discutir as bases de uma política de acompanhamento e inserção no mercado de indígenas
diplomados.
Wagner Roberto do Amaral, professor da UEL, relata que já estão em andamento algumas iniciativas para levantar informações sobre os primeiros índios formados após a criação do sistema do vestibular indígena. O Paraná, por ter sido pioneiro, tem mais condições de ter dados consolidados. Temos uma linha de pesquisa sobre egressos da UEL e da UEM (Universidade Estadual de Maringá). O nosso grupo de trabalho também está discutindo a questão, explica. (F.G.)






