Acolhida promove troca de experiências entre fiéis
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terça-feira, 23 de janeiro de 2018
Lais Taine<br>Reportagem Local 

França, México, Amazonas, Paraná estarão reunidos em Londrina para o 14º Intereclesial das CEBs. A cidade vai receber quase 3 mil pessoas para o encontro, com o objetivo de maior articulação entre as comunidades católicas. Para acolher o pessoal, famílias das 58 paróquias participantes da cidade estão oferecendo hospedagem gratuita.
"Eu fiquei pensando nesta gente em um lugar estranho sem ninguém para acolher", sensibiliza-se Antônia Campos, que vai receber três pessoas do Ceará. A casa ganhou algumas mudanças para receber a visita desconhecida. "Minha casa só tem um banheiro, que fica no meu quarto. Então estou fazendo um corredor com o guarda-roupas para eles não ficarem constrangidos", conta.
Campos mora com o marido e "cinco cachorros", no União da Vitória (zona sul). Com a experiência, pretende vivenciar a missão católica e se espiritualizar. "Eu quero entender a questão espiritual mesmo, entender o que eles sentem, o que fazem nessas missões. É uma troca de experiência e eu vou aprendendo. Se eles aceitarem o que eu posso oferecer, estou tranquila", afirma Campos, que também é do Ceará e sente que não terá problemas com as diferenças de cultura.
Neidi Heck veio do Rio Grande do Sul para participar do seu quarto encontro Intereclesial. "É uma escola de vida para qualquer um, porque vem pessoas de todos os locais", afirma. O encontro tem como base as discussões sociais entre pessoas de várias regiões e culturas diferentes, incluindo indígenas e comunidades quilombolas. "A maior riqueza é a convivência de pessoas de várias realidades e também é uma riqueza a pessoa te acolher, abrir as portas para quem não conhece. Isso é um sinal cristão e uma das maiores marcas do encontro", defende Heck.
No intuito de compartilhar experiências, a família de Eliane Hirooka está curiosa para conhecer seus hóspedes. São quatro pessoas na casa, no bairro Dom Ático (zona oeste), que mudarão um pouco a rotina para receber quem elas nem conhecem e não sabem de qual região do Brasil virá. "Eu senti vontade, senti que eu podia fazer isso, doar um pouquinho para uma pessoa que não conhece e quer conhecer novos costumes, foi uma vontade de acolher ao próximo", afirma Hirooka.
Novos costumes e novas realidades. José Batista da Silva afirma que o encontro permite estudar a situação social atual e real das delegações, levando à percepção real de toda a comunidade católica. "A nossa realidade no Nordeste é tão diferente da de Londrina. Lá chove uma vez por mês, três vezes no ano, aqui já chove todo dia, tem inundação, tem vendaval, existe uma outra realidade", afirma Silva, que saiu de Juazeiro do Norte (CE) e levou aproximadamente 36 horas, entre conexões e atrasos de voos para chegar à cidade.
"Vale a pena pelo o outro. Favorecer que o outro veja seu testemunho e você veja o testemunho do outro. A igreja de Londrina vai conhecer a igreja do Brasil e a igreja do Brasil vai conhecer a igreja de Londrina", afirma. "É uma riqueza a pessoa te acolher, abrir as portas para quem não conhece. Isso é um sinal cristão e uma das maiores marcas do encontro", acrescenta.


