Ações têm valorização de mais de 150% no ano
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quinta-feira, 30 de dezembro de 1999
Por Tom Morooka 
São Paulo, 30 (AE) - As ações surpreenderam e foram, disparadamente, o investimento financeiro mais rentável de 1999, com valorização média superior a 150%. Após iniciar o ano atropelado pela forte desvalorização e mudança do regime cambial
ficar exposto ao tranco dos juros e à perspectiva de acentuada retração da atividade econômica, a Bolsa de São Paulo chegou ao fim do ano com uma valorização de 151,93% em real, dos quais 24 05% apenas em dezembro. A rentabilidade da Bolsa paulista medida em dólar foi de 70,30%, obtida nos últimos dois meses.
O ano que, nos últimos meses premiou o investidor em ações, acabou frustrando aqueles que insistiram em permanecer na renda fixa. Todas as aplicações remuneradas por taxas de juros, dos CDBs às cadernetas, passando pelos fundos, renderam menos que a inflação de 20,10% acumulada pela variação do IGP-M no ano. A boa posição do dólar paralelo e do ouro no ranking reflete os efeitos da desvalorização cambial.
O desempenho das ações traduziu a reversão de expectativas pessimistas pela melhora de indicadores econômicos ao longo do ano e pelo otimismo reforçado com a economia no ano 2000. Entre outros fatores favoráveis, a inflação não disparou, como se temia, com a abrupta desvalorização do real; a escalada do dólar, após a mudança da política cambial, foi razoavelmente contida nos meses seguintes; e a taxa básica de juros, alçada ao nível de 45% ao ano no início de março, traçou curva declinante no fim do mesmo mês e manteve tendência de rápida queda nos meses seguintes.
As sucessivas revisões do cenário mais pessimista deram maior mobilidade às bolsas ainda no primeiro semestre, com a participação também de capital estrangeiro, atraído pelo baixo preço das ações em dólar após a desvalorização cambial. A recuperação das bolsas foi interrompida a partir de meados do ano com as resistências enfrentadas pelo governo para a aprovação das propostas de reformas econômicas no Congresso Nacional.
As dificuldades para o avanço das reformas levou a uma retração do investidor externo e o mercado doméstico de ações passou a trabalhar colado à variação da Bolsa de Nova York, por causa do temor de forte queda das ações no Exterior. O período que se seguiu coincidiu também com uma retomada de elevação da inflação, pressionada pelo reajuste de tarifas e preços administrados pelo governo e pela nova onda de aceleração das cotações do dólar.
O cenário voltou a ficar mais favorável às bolsas quando o Banco Central manteve a estabilidade dos juros, sem reagir com uma alta das taxas à aceleração da inflação, considerada circunstancial, e negociou os termos acordados com o FMI para voltar a ofertar dólares ao mercado e conter a contínua desvalorização do real.
A persistente rentabilidade negativa nas aplicações de renda fixa a partir de agosto, pela combinação de inflação ascendente com estabilidade dos juros, levou a uma crescente migração dos recursos da renda fixa para o investimento em ações. Principalmente dos fundos de pensão, em dificuldades para o cumprimento de metas atuariais, diante da aceleração da inflação e da taxa de juro baixa.
Um fator adicional do aumento de interesse pelas ações tem sido também a expectativa de chegada de forte fluxo de capital estrangeiro, que não estaria participando dos últimos meses de alta do mercado, passado o temor do bug do ano 2000, na virada do ano.


