Ações em defesa de federais reagem a corte e acusação de ‘balbúrdia’
Fala de ministro e bloqueio orçamentário de cerca de 30% para as universidades e institutos federais são respondidos por iniciativas de apoio
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 07 de maio de 2019
Fala de ministro e bloqueio orçamentário de cerca de 30% para as universidades e institutos federais são respondidos por iniciativas de apoio
Rafael Costa - Grupo Folha 
Curitiba - Na noite deste domingo (5), o reitor da UFPR (Universidade Federal do Paraná) foi a uma rede social para fazer uma “convocação” à comunidade acadêmica e a ex-alunos da instituição. Ricardo Marcelo Fonseca reforçou que o corte de R$ 48 milhões da verba da universidade, comunicado pelo governo federal na semana passada, pode inviabilizá-la, e citou a circulação de “correntes falsas” sobre os orçamentos e as atividades das universidades públicas.

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Fonseca explicou que a instituição está divulgando matérias sobre as contribuições da instituição para o País e pediu que a comunidade ajudasse a multiplicá-las, no que chamou de “batalha da comunicação”. “Existem muitos fronts diante dessa situação, mas um deles, importantíssimo, é o da comunicação. Precisamos mostrar — nas redes sociais, nos grupos de WhatsApp, no estágio, na comunidade, na igreja ou onde for — aquilo que de maravilhoso fazemos em nossa instituição”, disse.
A “batalha” a que se refere o reitor da UFPR ganhou força nas redes sociais nos últimos dias, quando uma série de manifestações em defesa da UFPR e de outras instituições públicas federais de ensino superior vieram à tona.
Uma delas é a página “Registros da balbúrdia na UFPR” — batizada em referência à promessa do ministro da Educação, Abraham Weintraub, de cortar verbas de universidades que estivessem promovendo “balbúrdias” em seus campi, anunciada em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo” publicada no dia 30 de abril.
A fanpage divulga fotos e vídeos de atividades acadêmicas normais, acompanhados de descrições em falso tom de denúncia. “Alunos de farmácia são vistos em AULA de Química Geral Experimental realizando reações de metátase”, diz uma publicação desta terça-feira (6), ilustrada com a uma foto de uma estudante manipulando tubos de ensaio. Em outra publicação, a página mostrou uma ação de um projeto de extensão da Faculdade de Direito que prestou auxílio jurídico a um morador de rua, que teria sido acusado injustamente e absolvido. Em outra foto, alunos de Biologia Celular vestidos em guarda-pós seguram placas que identificam a situação como “balbúrdia” no laboratório. “Vergonha nacional”, diz a descrição. Os conteúdos são enviados pela própria comunidade acadêmica.
A página diz que tem o objetivo de demonstrar “tudo o que realmente acontece” dentro da UFPR, com o objetivo de defender a universidade pública. Na tarde desta segunda, a fanpage já tinha mais de 21 mil curtidas. Os administradores, que disseram à FOLHA preferir o anonimato, não atenderam ao pedido de entrevista até a conclusão desta reportagem.
Desde a semana passada, outras iniciativas de valorização em diferentes partes do País movimentam as redes sociais e instituições. No Twitter, estudantes, pesquisadores, professores e ex-alunos publicaram conteúdos reunidos em “hashtags” como #oquevinauniversidadepublica e #TiraAMãodoMeuIF — em referência aos institutos federais, que também são afetados pelo bloqueio orçamentário.
Em Londrina, o alunos do IFPR (Instituto Federal do Paraná) protestaram contra o corte. Vestidos de preto, eles fizeram uma foto na sede da instituição na manhã desta segunda, em um ato articulado com outras instituições federais.
Na noite desta segunda, o MPPR (Ministério Público do Paraná) divulgou uma nota pública em favor das universidades assinada pelo Procurador-Geral de Justiça, Ivonei Sfoggia. O órgão destaca que faz a defesa das instituições “diante de ameaças que, a pretexto de justificativas contábeis, possam oferecer concreto risco de retrocesso, na contramão dos legítimos anseios de um plus civilizatório para a construção de uma sociedade progressivamente melhor e mais justa”.


