São Paulo, 09 (AE) - As ações da Telefónica voltaram a disparar hoje, em Madri, com rumores de uma eventual fusão com a Deutsche Telekom, a maior operadora de telefonia fixa da Europa. Logo de manhã, o papel da maior companhia privada da Espanha disparou 7,60%. A 15 minutos do final do pregão, o papel da companhia operava em alta de 4,94%.
De acordo com Julián Pascual, analista do Deutsche Bank em Madri, as ações das companhias européias de telecomunicações têm apresentado significativa valorização nos últimos dias devido às grandes perspectivas de negócios nas áreas de Internet e telefonia celular de terceira geração e às fortes especulações de novas fusões no setor, entre elas a da Telefónica e a Deutsche Telekom.
"No momento, a Telefónica é muito atrativa, não só por ser um player estratégico no mercado hispânico e português, mas também por que é extremamente atraente para ser adquirida ou até mesmo por jogar também como eventual compradora", disse Pascual
em entrevista à AGÊNCIA ESTADO, por telefone de Madri.
Maria Rotondo, analista do BSCH (Banco Santander Central Hispano), fez a mesma análise. "As perspectivas de negócios na Internet e na área de telefonia móvel puxaram as ações de todas as companhias de telecomunicações", afirmou a analista do BSCH. Tanto Pascual como Rotondo acreditam que a abertura de capital prevista para a Telefónica Imobiliária teve, ou terá, pouco peso na valorização da Telefónica no mercado.
"Essa notícia é até discutível, embora não deixe de ter a sua importância, mas o peso maior é o sucesso, por exemplo, da Terra Networks no mercado e o já previsto êxito da Telefónica Media, quando o grupo decidir abrir o capital", explicou Pascual.
Embora uma eventual fusão entre a Telefónica e a Deutsche Telekom esteja descartada, a princípio, o mercado não deixa de especular sobre esse possível fato, já que a própria operadora espanhola reconheceu esta semana que chegou a haver conversações com a British Telecom.
Essa fusão não teria ocorrido apenas por causa das "diferenças culturais" entre britânicos e espanhóis. "Devido a essas diferenças, um acordo com a Deutsche Telekom ficaria complicado, já que seria difícil estabelecer, por exemplo, quem mandaria na nova companhia", disse o analista do Deutsche Bank.
Mercado hispânico - Com a oferta pública de aqusição de ações (OPAs), lançada no início de janeiro e confirmada na semana passada, a Telefónica passou a ser a maior empresa de telecomunicações de língua hispânica e portuguesa no mundo, de acordo com a Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe). "Depois de investir mais de US$ 10 bilhões na região, principalmente na aquisição de companhias já existentes, cerca de 31% dos ativos da Telefónica são estrangeiros e a empresa conta ainda com 49 milhões de clientes no Brasil, Argentina, Chile, Peru, Porto Rico e outros países da América Central", afirma um estudo da Cepal.
Desde 1990, quando colocou os pés na América Latina, a Telefónica investiu US$ 10,9 bilhões apenas em aquisições de empresas do setor. Praticamente metade dessa cifra foi direcionada ao Brasil, onde a companhia adquiriu, primeiro, a Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT) e, depois, a Telesp Participações (telefonia fixa) e a Telesudeste Celular (telefonia móvel no Rio de Janeiro e Espírito Santo). Atualmente
27% do faturamento do Grupo Telefónica vêm de seus negócios fora da Espanha. No período de 1999 a 2001, a empresa espera investir R$ 12 bilhões apenas no Brasil, fora os US$ 4,5 bilhões e US$ 2,5 bilhões na Argentina e Peru, respectivamente.

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