Ações da Otan causam preocupação na Europa e ásia
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domingo, 25 de abril de 1999
Por Audrey Woods 
Londres, 26 (AE-AP) - A intensificação da batalha da Otan contra a Iugoslávia e o plano de impor um embargo de petróleo estão provocando calafrios na Europa e sérias preocupações na ásia.
Seguindo-se à cúpula do 50º aniversário da aliança e à mostra de unidade da liderança, os objetivos da Otan na luta contra Solobodan Milosevic não são a única preocupação. Alguns se preocupam com o precedente sendo estabelecido, e a eventual direção da Otan.
"Se a Otan está tentando marginalizar o Conselho de Segurança e definir seus próprios fins, a comunidade internacional pode e deve sentir-se um pouco desconfortável", escreveu o diário El Mundo, de Madri, hoje.
"Estamos construindo politicamente a Europa em ordem de renunciar à sua defesa, deixando-a nas mãos de uma organização que é no fim financiada e liderada pelos Estados Unidos?" perguntou o editorial.
O jornal sueco Aftonbladet assumiu uma linha similar.
"Uma luta sem tréguas deve ser assumida pelos estados-membros da Europa... a fim de quebrar a hegemonia americana", afirmou.
Mas nem tudo foi críticas à mostra de solidariedade das 19 nações da aliança em sua campanha militar para acabar com a opressão de Slobodan Milosevic aos albaneses de Kosovo.
Apesar de objeções da Rússia, a Otan concordou em intensificar seus ataques aéreos e declarar um embargo de petróleo, imposto pelos navios da Otan, mas não decidiu sobre o envio de suas tropas terrestres.
"As boas notícias vindas de Washington é que os países da Otan vão assumir a responsabilidade que foi colocada sobre eles quando iniciaram a guerra", escreveu o jornal dinamarquês Politiken.
Jyllands Poste, um outro grande jornal dinamarquês, destacou a demonstração de unidade da Otan e classificou a reunião de "uma forte declaração" mostrando que os países da Otan irão permanecer unidos.
O diário espanhol El Pais afirmou que era bom que o conceito de intervenção humanitária esteja ganhando força, mas destacou que "uma legalidade está sendo quebrada e não está sendo substituída, e outros países, como a China ou a Rússia, podem usar um caminho semelhante se quiserem intervir em suas zonas".
A disputa com a Rússia foi motivo de preocupação na Austrália e na ásia.
"Agir para cortar suprimentos de petróleo para a Iugoslávia irá colocar a Otan em conflito com a Rússia" no momento em que a aliança celebra seu longo papel como guardiã da paz na Europa, escreveu o Sydney Morning Herald.
Na Coréia do Sul, o embargo foi a principal manchete da maioria dos grandes jornais. Um editorial no Chosun Ilbo afirmou que o embargo designa oficialmente a Otan como uma "polícia internacional com total força", e poderia enfraquecer o papel do Conselho de Segurança da ONU.
No Japão, um aliado-chave dos EUA, alguns jornais questionaram os objetivos da aliança. "Pode a Otan manter uma balança na Europa, ou ela cria mais tensão? A ausência do presidente russo na cúpula simboliza os problemas que a Otan está enfrentando", escreveu num editorial o Asahi Shimbun.
Na China, as preocupações eram ainda maiores.
Temendo que ações da Otan sem a aprovação da ONU estabelecem um precedente que poderia ser um dia usado contra a China, líderes chineses têm usado a mídia estatal para satanizar a aliança, retratando a resistência da Iugoslávia como heróica e insuflando o nacionalismo chinês.
"Canhões não podem esmagar a verdade", foi um comentário do Sundays Yangcheng Evening News sobre o bombardeio da semana passada da televisão sérvia. O bombardeio "prova que a Otan teme enormemente que as pessoas do mundo saibam os fatos reais, teme totalmente a verdade".


